sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Setor público consolidado tem déficit primário de R$ 25,491 bi no mês




BRASÍLIA  -  
(Atualizada às 11h40) O setor público não financeiro registrou, em setembro, déficit de R$ 25,491 bilhões em suas contas primárias. Em agosto, o déficit foi de R$ 14,460 bilhões. Com isso, o setor público tem déficit pelo quinto mês seguido, algo inédito na série do BC.

Os números foram divulgados, há pouco, pelo Banco Central (BC), e referem-se ao desempenho fiscal de União, Estados, municípios e empresas sob controle dos respectivos governos, excluídos bancos estatais, Petrobras e Eletrobras. Em setembro do ano passado, fora registrado déficit primário de R$ 9,048 milhões. 
De janeiro a setembro, o país passou a registrar um déficit primário de R$ 15,286 bilhões - o primeiro para o acumulado do ano registrado na série histórica. Até agosto, havia saldo positivo nas contas primárias do setor público.
Medido em 12 meses, o superávit primário caiu de R$ 47,498 bilhões em agosto, para R$ 31,055 bilhões em setembro de 2014. Medido em proporção do PIB o esforço fiscal passou de 0,94% para 0,61% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pelo BC, pior resultado da série histórica iniciada em 2002.
Para este ano, o governo se comprometeu a entregar um superávit primário de R$ 99 bilhões, ou 1,9% do PIB. São R$ 80,8 bilhões do governo central (União, Previdência e BC), ou 1,55% do PIB, e outros 18,2 bilhões de Estados e municípios, o que equivale a 0,35% do PIB. 
Para essa conta fechar o governo tem de economizar R$ 114,3 bilhões no último trimestre do ano, ou o equivalente a R$ 38,1 bilhões por mês, algo nunca registrado.
Antes do BC, o Tesouro Nacional informou que o governo central, que reúne as contas do próprio Tesouro, Previdência Social e Banco Central, registrou déficit primário de R$ 20,399 bilhões em setembro deste ano. Em comparação, o nono mês de 2013 teve déficit primário de R$ 10,428 bilhões. É o quinto déficit consecutivo e o pior resultado para todos os meses desde o início da série histórica, que começa em janeiro de 2007.
Déficit nominal
No conceito nominal de resultado fiscal, que inclui os gastos com juros, houve déficit de R$ 69,376 bilhões em setembro - o triplo do resultado negativo visto no mesmo mês do ano passado, de R$ 22,896 bilhões. A conta de juros alcançou R$ 43,885 bilhões no mês passado, contra R$ 17,016 bilhões em agosto e R$ 13,848 bilhões em setembro do ano passado.
No acumulado dos 12 meses terminados em setembro de 2014, quando o valor líquido pago em  juros atingiu R$ 280,793 bilhões, houve déficit nominal de R$ 249,738 bilhões, o que representa 4,92% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pelo Banco Central para o período. Esse é o maior déficit em 12 meses desde dezembro de 2003 (5,24%). A situação piorou em relação ao período de 12 meses terminados em agosto de 2014, quando o déficit nominal foi de 4,03% do PIB. 
No acumulado do ano, o pagamento de juros soma R$ 209,143 bilhões (5,53% do PIB) e o déficit nominal é de R$ 224,429 bilhões (5,94% do PIB). Em igual período do ano passado, a conta de juros somava R$ 177,206 bilhões (4,87%) e o déficit nominal era de R$ 132,241 bilhões (3,7% do PIB).
Dívida líquida 
A dívida líquida do setor público não financeiro avançou em termos nominais em setembro. O saldo passou de R$ 1,812 trilhão em agosto para R$ 1,822 trilhão no mês passado. Em relação ao Produto Interno Bruto estimado pelo Banco Central (BC), a dívida líquida permaneceu em 35,9%. No entanto, o BC projetava queda para 35%.
No ano, a relação entre dívida líquida e PIB sobe 2,4 pontos percentuais, resultado da apropriação de juros e valorização cambial, que foram apenas parcialmente amortecidos pelo crescimento do PIB.
(Eduardo Campos e Lucas Marchesini | Valor)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Primeiro embarque de minério no porto do Açu

Anglo American realiza primeiro embarque de minério 

de ferro do Projeto Minas-Rio

A Anglo American anuncia o primeiro embarque de minério de ferro do Projeto Minas-Rio, dentro do prazo e do orçamento previamente informados.
A Anglo American anuncia o primeiro embarque de minério de ferro do Projeto Minas-Rio, dentro do prazo e do orçamento previamente informados. O primeiro navio com mais de 80 mil toneladas de minério de ferro para o mercado de pellet feed foi carregado no terminal dedicado de exportação de minério de ferro no Porto do Açu, Rio de Janeiro, no dia 25 de outubro, e a embarcação está atualmente a caminho da China.
Mark Cutifani, presidente global do Grupo Anglo American, disse: “A realização do primeiro embarque de minério de ferro do Projeto Minas-Rio é uma grande vitória do nosso time e um dos três principais compromissos com nossos acionistas este ano. O Minas-Rio é um depósito mineral excepcional em termos de escala e qualidade, o que nos permitirá disponibilizar pellet feed da mais alta qualidade no mercado para nossos clientes no Oriente Médio e Ásia, proporcionando-nos uma clara vantagem competitiva. Apesar do cenário desfavorável de preços que vivemos no momento, a característica integrada do Sistema Minas-Rio, da mina ao porto, nos garante custos operacionais atrativos e nos permitirá manter uma posição competitiva a longo prazo.”
Paulo Castellari, presidente da Unidade de Negócio Minério de Ferro Brasil da Anglo American, acrescentou: “Estamos muito contentes com a realização do primeiro embarque do Projeto Minas-Rio e essa é uma prova do grande esforço e dedicação de todo o time, incluindo nossas empresas contratadas, fornecedores, parceiros e o apoio das autoridades reguladoras e do governo no Brasil ao longo dos anos. Nosso foco daqui em diante é alcançarmos nossa capacidade de produção anual de 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro nos próximos 18-20 meses, e na manutenção de licenças e de autorizações necessárias à medida que avançamos na nossa operação.”
Sobre o Projeto Minas-Rio
Um dos principais empreendimentos globais da Anglo American, o Minas-Rio atingirá uma capacidade anual de produção de 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro. O projeto inclui uma mina de minério de ferro e unidade de beneficiamento em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, em Minas Gerais; o maior mineroduto do mundo, com 529 km de extensão e que atravessa 32 municípios mineiros e fluminenses; e o terminal de minério de ferro do Porto de Açu, no qual a Anglo American é parceira da Prumo Logística com 50% de participação, localizado em São João da Barra (RJ).
Sobre a Anglo American
A Anglo American plc. é uma das maiores companhias de mineração do mundo, com sede no Reino Unido e ações negociadas nas bolsas de Londres e Joanesburgo. Seu portfólio de negócios atende às diferentes necessidades dos clientes e abrange commodities de alto volume – minério de ferro e manganês; carvão metalúrgico e carvão mineral; metais básicos e minerais – cobre, níquel, nióbio e fosfatos; e metais e minerais preciosos – nos quais é líder global em platina e em diamantes.
A Anglo American é comprometida com a realização de um trabalho alinhado aos seus stakeholders - investidores, clientes, parceiros e empregados - para criar valor sustentável que faz a diferença, respeitando os mais altos padrões de segurança e responsabilidade em todos os seus negócios e localidades. As operações de mineração, projetos de expansão e atividades de exploração da empresa estão presentes no sul da África, América do Sul, Austrália, América do Norte, Ásia e Europa.
A empresa atua no Brasil desde 1973 e hoje está presente no País com quatro produtos: minério de ferro, com o Minas-Rio, o maior projeto de exploração de minério de ferro em desenvolvimento no mundo; níquel, com operações nos municípios de Barro Alto e Niquelândia, em Goiás; fosfato, com as operações nos municípios de Ouvidor (GO), Catalão (GO) e Cubatão (SP), e nióbio, presente nos municípios de Catalão e Ouvidor, em Goiás.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Depois das comemorações, a triste realidade!

Passado o momento do marketing político, onde os discursos costumam ser fantasiosos e descompromissados com a realidade, descemos ao mundo real. Nesse mundo não existe espaço para fantasias, os problemas são reais e são sentidos por todos os mortais. Não tem como ignorá-los, sob pena da população ter que pagar com juros, a conta que costuma ser muito salgada.

Aliás, a prática de esconder problemas foi observada nesse governo. A proximidade da eleição gerou preocupação em relação aos indicadores não exitosos, alimentando estratégias perversas ao sistema econômico. O caso da gestão artificial do preço da gasolina, para combater a inflação, gerou graves problemas financeiros à Petrobrás e impôs forte quebradeira ao setor sucroalcooleiro, que viu o etanol perder competitividade, dado o rebaixamento do preço da gasolina. No caso da energia elétrica, a redução artificial do preço para os consumidores criou problemas de caixa para as empresas de distribuição e inibiu o investimento no setor. Recursos públicos entraram em ação para evitar maiores problemas.


Importante observar que a inflação não se abateu frente as medidas tomadas, já que outros fatores que a alimentam foram ignorados. O caso da ampliação da demanda, por conta dos programas sociais, sem a respectiva ampliação da oferta, se caracterizou num grave problema. A inflação continuou numa trajetória ascendente neste ano. Veja a trajetória da inflação no gráfico.
Se a inflação está em alta, o emprego desacelera fortemente. No período de janeiro a setembro deste ano foram gerados 730.123 empregos no país, contra 1.037.752 empregos no mesmo período do ano passado, ou seja, uma redução de  29,4% em 2014.

Para piorar a situação, as contas do balanço de pagamentos não fecham. O saldo de transações correntes foi deficitário em US$ 54,8 bilhões no período de janeiro a agosto. No campo comercial, a diferença entre exportações e importações também é crítica. O saldo acumulado no período de janeiro a setembro  foi deficitário em US$ 0,7 bilhão.

Concretamente, não resta dúvidas de que as estratégias baseadas no incentivo à demanda, tais como: desoneração de impostos, subsídios, flexibilização de encargos sociais e  transferência de renda, não apresentaram os impactos esperados. O saldo em transações correntes é deficitário, a inflação é ascendente, o crescimento do Produto Interno Bruto - PIB é quase nulo, o saldo da balança comercial é deficitário, o emprego está desacelerando, o investimento é baixo e existe uma real crise de confiança. Quer dizer, no curto prazo a situação é dramática.

sábado, 25 de outubro de 2014

O emprego nas regiões Norte e Noroeste Fluminense em 2014

Olhando para a trajetória do emprego formal nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, somos levados a refletir sobre os reais reflexos dos grandes investimentos exógenos nas economias interioranas. Vejam que as regiões apresentam características bem diferentes. Enquanto a região Norte Fluminense é produtora de petróleo e sede de um dos maiores projetos de infraestrutura portuária do país, o complexo portuário do Açu, a região Noroeste concentra as sua atividades no setor agropecuário, pequenas indústrias e serviços correlatos. 
Estudos da Firjan, sobre expectativas de investimento para o período 2012 - 2014, indicam R$ 26,0 bilhões para a região Norte e R$ 0,8 bilhão para a região Noroeste, ou seja, a região Norte tem uma expectativa de investimento 32,5 vezes maior do que a região Noroeste Fluminense no período analisado. 
Outro aspecto importante diz respeito ao tamanho do orçamento público. O fato da região Norte ser produtora de petróleo, lhe garante transferências substanciais de royalties de petróleo e participações especiais da ANP, o que não ocorre com a região Noroeste fluminense que, como área limítrofe, apresenta fortes dificuldades orçamentárias.
Considerando esses aspectos, podemos reafirmar que os grandes investimentos exógenos, especialmente, baseados em recursos naturais, a exemplo da região Norte Fluminense, tem pouca eficácia em relação a geração de empregos. Avaliando a trajetória do emprego nas regiões selecionados em 2014, vemos que a região Norte gerou 5.498 empregos, com benefício das contratações para atividade sazonal do setor sucroalcooleiro em Campos dos Goytacazes, que gerou 3.746 empregos, ou 68% do total. Isso quer dizer para o final do ano devemos esperar mais demissões do que admissões. 
A região Noroeste gerou 1.222 empregos, com Itaperuna e Itaocara concentrando 683 empregos ou 59% do total. Importante observar que os empregos estão relacionados com as atividades locais, cujos esforços são endógenos.
Esses indicadores fortalecem a nossa tese sobre a necessidade de elaborar projetos baseados em recursos locais, sob a égide de uma coordenação institucional. 
Assim, podemos concluir que os grandes investimentos exógenos não vão alterar o quadro socioeconômico regional.
  
  

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A deterioração da economia brasileira no governo Dilma

A campanha da candidata Dilma Rousseff desinforma a população quando compara os indicadores econômicos do governo PT com o governo do PSDB. Não é possível fazer essa comparação sem levar em consideração a conjuntura em cada momento. A análise do governo PSDB (1995-2002), exige um retorno á história, resgatando a conjuntura da década de oitenta. Para os analistas,  uma década perdida, onde a hiperinflação e os juros na estratosfera desorganizou, substancialmente, a economia do país. Diversos planos tentaram, sem êxito, eliminar a inflação que à época empobrecia a população e inviabilizava a produção. O país convivia com altas taxas de desemprego, baixo padrão de renda do trabalho e um forte aprofundamento da pobreza.

A luta contra a hiperinflação entrou pela década de noventa, gerando a renúncia do presidente Collor de Mello em 1992, quando assumiu o presidente Itamar Franco, no final do mesmo ano. Nomeado ministro da fazenda, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso passou a comandar uma tropa de excelentes economistas, dentre eles, André Lara Resende e Pérsio Arida, conseguindo, finalmente, estabilizar a economia com o Plano Real em 1994. Com alta popularidade pelo feito, Fernando Henrique foi eleito presidente e governou o país por dois mandatos. Nos dois mandatos seguinte, Lula pôde conduzir um país estruturado e sem as mazelas tão profundas do período anterior. Tanto é verdadeira essa afirmativa que o próprio Lula tratou de manter as bases da estabilização econômica criadas pelo governo do PSDB, mesmo sendo censurado em alguns momentos por seus pares.

Se a comparação entre os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula não é tão simples, em função das diferentes conjunturas, a comparação do último mandato de Lula com o mandato da Dilma é possível e aconselhável, de forma a constatar como o país se fragilizou nestes últimos quatro anos.


Olhando a evolução do PIB (riqueza gerada pelo país); do comércio exterior (inserção externa do país); da formação bruta do capital fixo (investimento agregado) e a escalada da Inflação (corrosão do poder de compra da população), não ficam dúvidas sobre o processo de decadência econômica do país no governo Dilma, nesses quatro anos.










Observe que no período 2007-2010, Lula governava o país, quando explodiu a crise financeira nos Estados Unidos, no final de 2008. Neste ano o PIB cresceu 5,2% contra 6,1% no ano anterior. A crise afetou fortemente o país, gerando uma queda de 0,3% em 2009, apesar do governo considera-la como uma marolinha. De fato, pode-se verificar uma forte recuperação do PIB, que cresceu a taxa de 7,5% em 2010, último ano de Lula.

No período seguinte, sob o comando da presidenta Dilma, claramente, o quadro é desalentador. Já em 2011 observa-se uma forte desaceleração do PIB, com o crescimento de 2,7%. Em 2012, ocorreu uma nova desaceleração com crescimento de 1%, seguido por uma pequena recuperação, onde foi contabilizado um crescimento de 2,3% em 2013, voltando a desacelerar mais fortemente em 2014, onde o crescimento no período de janeiro a junho bateu 0,5%.










Um segundo indicador de tamanha importância é o comércio exterior. No gráfico observa-se uma trajetória de forte queda do saldo da balança comercial (exportação menos importação). No governo Lula, apesar da desaceleração, o país acumulou um saldo de U$$ 110,3 bilhões, enquanto no período seguindo da presidente Dilma, o saldo acumulado foi de US$ 52,5 bilhões, ou seja, queda de  52,4% em relação imediatamente anterior.










O gráfico apresenta as taxas de investimento para os dois períodos. Observe que no período Lula (2007-2010), a média de investimento no país atingiu 18,5%, mesmo com o advento da crise americana, enquanto no governo Dilma (2011-2014 até setembro), a média chegou 18,1%, porém a tendência de desaceleração é evidente.










A inflação média anual no governo Lula atingiu 5,15%, enquanto no governo Dilma a taxa atingiu 5,71%, faltando considerar o último trimestre do ano. A expectativa é de que a inflação deste ano passe o teto da meta que é de 6,5%, com forte risco da indexação de preços, que alimenta a espiral inflacionária.

Importante observar que esse processo de deterioração econômica, ocorre em um ambiente de diversos incentivos a atividade industrial, com a eliminação e redução da tributação, políticas de transferência de renda e flexibilização de encargos sociais sobre folha de pagamento.

Conclusivamente, pode-se afirmar que está instalado na economia brasileira um quadro de resultados que são muito contraditórios, ou seja, ocorrem incentivos diversos ao setor produtivo, mas o crescimento da riqueza é pífia. Por outro lado, o aumento das taxas de juros e mecanismos similares não freiam a escala inflacionária. Como resultado, a receita orçamentária do governo se fragiliza e o equilíbrio da balança de pagamentos fica comprometido, além do comprometimento do futuro do próprio país. Esses argumentos justificam a busca de alternativas!

domingo, 19 de outubro de 2014

Ataques à História

Excelente análise de Miriam Leitão

O Globo
Deveria ser a safra dos debates profundos sobre o país, sobre suas dificuldades reais e a procura de solução para os inúmeros problemas que já existem e os que podem ser previstos. Mas os marqueteiros vestem a realidade com frases de fantasia, confortáveis para os candidatos, e afiam armas. Alguns fatos são deturpados e a história recente é reescrita até ficar irreconhecível.
É óbvio que foi o ex-presidente Fernando Henrique quem venceu a hiperinflação. Foi ele quem levou para o governo Itamar Franco os economistas com a tecnologia e a destreza para montar um plano que atendia a dois pedidos dos cidadãos: ser feito às claras, sem sustos e perdas, e matar o dragão que sobrevivera a cinco planos e devorava as finanças das famílias. Foi FH quem superou os desafios para consolidar o real e começou a reorganizar o estado. Acusar aquele governo de inflação alta é desonestidade.
Na distopia de George Orwell, 1984, os poderosos reescrevem a história. Quem viu a longa luta do Brasil para ter uma moeda estável sabe quem liderou a vitória sobre a inflação e lembra dos benefícios dessa conquista para as pessoas.
As ideias do PT sobre o combate à inflação eram toscas e perigosas. Seus economistas defenderam teses que nunca deram nem dariam certo; ou, o que é pior, um plebiscito sobre pagar ou não a dívida interna. Não pagá-la seria tomar o dinheiro de quem investiu em títulos públicos, como fez o ex-presidente Collor. O plebiscito e uma auditoria nas aplicações dos brasileiros foram defendidos pelo PT dois anos antes de assumir o poder. Se aplicasse o programa em 2003 teria destruído o real. Cotejar números descarnados dos fatos é um desrespeito à memória do país.
O PT não faria a estabilização e hoje a ameaça. Não são “choques de preços” que explicam a inflação estar acima do teto da meta. Inesperados sempre ocorrem e é por isso que existe a margem de flutuação. O governo atual aceitou uma inflação mais alta. A taxa passou o mandato inteiro arranhando ou furando o teto, porque perdeu o espaço para acomodar os choques. O PT deve a Antonio Palocci e à ajuda de Arminio Fraga ter vencido as naturais desconfianças sobre a capacidade do partido de conduzir a economia. Arminio socorreu o país em dois momentos-chave: ao assumir o Banco Central no meio da crise cambial, em 1999, e na transição política, em 2002. Ninguém é obrigado a gostar dele, mas esses são os fatos.
Da mesma forma que o PSDB tem o mérito de ter atendido a demanda do país por uma moeda estável; o PT tem o mérito de ter atendido a demanda do país por redução da pobreza e da miséria, e por ter ampliado os programas de renda mínima. Quem começou a defendê-los como política pública foi o senador Eduardo Suplicy. Repórteres iam ouvi-lo sobre qualquer assunto, e tinham uma aula sobre as políticas de transferência de renda.
Estudos foram feitos por especialistas em combate à pobreza. A política foi testada em municípios dirigidos por partidos diferentes: Campinas, PSDB; Brasília, PT; Belo Horizonte, PSB. Quando chegou ao governo federal, o valor da bolsa era pequeno. Mas aquela experiência trouxe dois avanços: iniciou a montagem de um cadastro dos beneficiários e vinculou o benefício à presença na escola. Outra preocupação do governo FH é que a bolsa não fosse vista como uma concessão partidária, mas um direito do cidadão.
A ideia inicial do PT, o Fome Zero, seria um retrocesso: era entregar selos para serem trocados por comidas, como os “food stamps", política testada nos Estados Unidos na Depressão e que virou programa social a partir dos anos 1960. O Fome Zero não saiu do papel, o governo corrigiu a rota e criou o Bolsa Família. A presidente Dilma colocou os focos nos mais pobres e o governo dedicou-se à busca ativa, que é procurar os que mais precisam. Prisioneiros das armadilhas do Brasil profundo, eles não tinham sequer noção dos seus direitos. A estabilização e a redução da pobreza são conquistas do país que nenhum governo deve ameaçar.
O combate à corrupção é uma demanda do Brasil e a presidente Dilma a enfraquece quando bate no peito e diz “a minha Polícia Federal”. Lembra muito a frase: “o Estado sou eu”.