sábado, 25 de abril de 2015

Fundo do FGTS deve socorrer o BNDES

JOÃO VILLAVERDE E MURILO RODRIGUES ALVES - O ESTADO DE S.PAULO
24 Abril 2015 | 02h 07

Aporte de R$ 10 bilhões está sendo negociado pelo ministro da Fazenda,Joaquim Levy, e pelo presidente do banco de fomento, Luciano Coutinho

"JÁ QUE O GOVERNO FEDERAL NÃO PODE SOCORRER O BNDES, EM FUNÇÃO DA EXIGÊNCIA DO EQUILÍBRIO FISCAL, QUE TAL O TRABALHADOR SUBSIDIAR O SEU ROMBO, PROVOCADO POR EMPRÉSTIMOS DUVIDOSOS ?"  

O governo Dilma Rousseff pretende estruturar uma operação bilionária e polêmica. Nada menos do que R$ 10 bilhões do fundo criado com uma fatia de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) devem ser aportados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A operação tem sido conduzida pessoalmente pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que também pertence ao conselho de administração do BNDES, e pelo presidente do banco de fomento, Luciano Coutinho. Ambos, Levy e Coutinho, têm buscado integrantes do comitê de investimento do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) nos últimos dias para defender o aporte de dinheiro do fundo ao banco.
O ministro da Fazenda está determinado a acabar com os repasses do Tesouro Nacional ao BNDES, como forma de melhorar a transparência das contas públicas e, principalmente, atingir a meta fiscal deste ano. Mas, diante da falta de crédito privado na proporção demandada pelo mercado, o papel do BNDES continua importante, dentro da lógica do Ministério da Fazenda. A saída para reforçar o capital do banco sem, no entanto, envolver dinheiro do Tesouro foi buscar o FI-FGTS - fundo que foi criado com o objetivo de ser uma alternativa a bancos públicos e privados no financiamento de projetos de infraestrutura.
Em 2008, mesmo ano em que os repasses bilionários do Tesouro ao BNDES começaram, o FGTS já tinha contribuído para reforçar o caixa do banco, com um repasse de R$ 7 bilhões em debêntures (títulos de dívida de longo prazo). Atualmente, a dívida do BNDES com o fundo está em R$ 4,7 bilhões, o equivalente a 15% do patrimônio líquido do FI-FGTS.
A operação que está sendo preparada agora por Levy e Coutinho e que envolverá R$ 10 bilhões do FI-FGTS tem sido feita por meio de conversas informais. O assunto está na pauta da próxima reunião do comitê, marcada para a quarta-feira da semana que vem.
Membros do comitê que decide os aportes do fundo criticam a proposta. "Dar dinheiro para cobrir o rombo do BNDES? O Tesouro não pode mais fazer isso e agora quer colocar na conta dos trabalhadores?", afirmou um deles ao Estado, sob condição de anonimato.
O FI-FGTS teve no ano passado mais de R$ 10 bilhões em caixa para investir em projetos de infraestrutura. Porém, teve de reduzir o apetite por conta do risco crescente das empreiteiras, com os desdobramentos da Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobrás.
A lei que criou o fundo, em 2007, permite que a Caixa proponha ao conselho curador do FGTS (composto por representantes do governo, dos trabalhadores e dos patrões) a aplicação de mais dinheiro no FI-FGTS até atingir o limite de 80% do patrimônio líquido do FGTS - atualmente em R$ 75 bilhões, segundo último dado disponível. Até o momento, o conselho curador do FGTS autorizou o repasse ao FI-FGTS de R$ 29,3 bilhões e o reinvestimento de R$ 7,4 bilhões.
Procurada, a Caixa afirmou que o regulamento do FI-FGTS impõe "caráter absolutamente confidencial" a todos os documentos e assuntos analisados nas reuniões do comitê de investimento. A revisão dessa condição, segundo o banco estatal, está no momento em discussão no conselho curador do FGTS. Sobre a operação com o BNDES, a Caixa informou que as debêntures emitidas em 2008 "vêm atendendo integralmente as condições inicialmente estabelecidas".

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Orçamento público alocado em turismo e emprego no comércio em SJB

São João da Barra-RJ, classificada como cidade turística, sede do complexo portuário do Açu e produtora de petróleo, alocou e liquidou R$16,5 milhões em 2013 na conta de "TURISMO". Gerou somente 44 empregos formais no comércio em todo ano.
Em 2014, considerando o período de janeiro a outubro, o municípios liquidou R$12,4 milhões em "TURISMO", gerando apenas 7 empregos formais no comércio.
"É provável que o município tenha o custo de emprego mais caro do mundo".

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Emprego no comércio no primeiro trimestre de cada ano

Uma grande contradição pode ser observada nos números de geração de emprego no comércio, nos meses de janeiro, fevereiro e março de cada ano, nos municípios selecionados. 
São João da Barra e Quissamã são produtores de petróleo e classificados como municípios turísticos, enquanto São Francisco de Itabapoana e São Fidélis não são produtores de petróleo e tem sua economia baseada na agropecuária. São João da Barra  é o que mais gasta em festas com o argumento de fortalecer o comércio. Veja que nos últimos nove anos, o município só gerou 21 empregos no comércio, considerando o primeiro trimestre de cada ano, enquanto Quissamã gerou 28 empregos no mesmo período. Sem petróleo, São Francisco de Itabapoana gerou o dobro das vagas de emprego no comércio de São João da Barra e São Fidélis gerou um número de vagas de emprego formal no comércio 314,3% maior do São João da Barra e 210,7% maior do saldo de Quissamã. 
Mais um dado para a reflexão sobre a importância do petróleo na geração de bem estar da população local.

Emprego formal em março na região Norte Fluminense

O emprego formal apresentou evolução no mês de março, comparativamente a fevereiro deste ano. O saldo de emprego no país atingiu 19.282 vagas, enquanto no Estado do Rio de Janeiro atingiu 4.118 vagas (em fevereiro foram eliminadas 11.101 vagas).
Na região Norte Fluminense foi verificado uma expansão do emprego formal em março, onde foram geradas 967 novas vagas, puxadas pelo municípios de Macaé. No mês de fevereiro foram eliminadas 1.706 vagas.
A tabela apresenta os resultados de março e o saldo acumulado no primeiro trimestre de 2015. Campos dos Goytacazes eliminou 225 vagas no mês, ampliando o saldo negativo para 1.669 vagas eliminadas no trimestre. O comércio foi o setor mias afetado com a eliminação de 730 vagas, seguido pela indústria de transformação com a eliminação de 349 vagas. A agropecuária eliminou 326 vagas e a construção civil eliminou 124 vagas no trimestre. Somente o setor de serviços ficou positivo com 164 vagas geradas no trimestre.
Macaé gerou 1.207 vagas em março, mas no trimestre o saldo é negativo em 971 vagas eliminadas. O setor de construção civil eliminou 517 vagas, seguido pelo comércio com 385 vagas eliminadas, o setor extrativo mineral com 160 vagas eliminadas e a industria de transformação com 75 vagas eliminadas. Somente o setor de serviço gerou um saldo positivo de 222 vagas no trimestre.
O município de São João da Barra eliminou 65 vagas em março e ampliou o saldo negativo para 511 vagas eliminadas no trimestre. Destas, a construção civil eliminou 306 vagas, o setor de serviços eliminou 188 vagas e o comércio eliminou 24 vagas no trimestre. 
Apesar do respiro em março, a situação continua bastante preocupante.

Petrobrás: quanto do teu sal são lágrimas?

THE ECONOMIST - O ESTADO DE S. PAULO

23 Abril 2015 | 11h 05

A Petrobrás abre o jogo com os investidores

Saber o pior pode ser o primeiro passo para uma recuperação. Mas não é garantia de que ela acontecerá. Ontem, com enorme atraso, a Petrobrás divulgou seu balanço financeiro de 2014, depois de auditores terem vasculhado os livros da empresa à procura de informações sobre anos de fraudes e malversações que fazem parte do maior escândalo de corrupção de que se tem notícia no Brasil. A estatal de petróleo anunciou que R$ 6,2 bilhões (US$ 2,1 bilhões) foram surrupiados de seus cofres. Entre outras más notícias, destaca-se a baixa contábil de R$ 44,6 bilhões, causada sobretudo pela revisão no valor dos investimentos no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e na refinaria de Abreu e Lima. O prejuízo líquido de 2014 ficou em R$ 21,6 bilhões, contrastando com um lucro de R$ 23,6 bilhões em 2013.
Fazer a faxina na Petrobrás (e no sistema político brasileiro) é uma tarefa de longo prazo. No curto prazo, a maior preocupação da companhia é simplesmente sobreviver, apesar da produção em queda, dos preços do petróleo em baixa, dos problemas de caixa e da conta gigantesca a ser paga pela exploração de seus ativos mais preciosos: os campos do pré-sal.
A publicação do balanço auditado era uma questão de vida ou morte. Os credores poderiam ter exigido o pagamento antecipado de dívidas no valor de US$ 54 bilhões, se a empresa não divulgasse os resultados de 2014 até 30 de abril. A farra de empréstimos promovida pela direção anterior fez da Petrobrás a companhia mais endividada do mundo e a deixou - quando o escândalo veio à tona - sem acesso aos mercados de capital.
A transparência em relação ao passado não aplacará os acionistas americanos, que estão furiosos com a gestão desastrosa da empresa. Alguns inclusive já entraram na Justiça. Mas, por ora, os investidores parecem dispostos a conceder à nova diretoria, comandada pelo ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine, uma chance: As ações da Petrobrás se estabilizaram nos últimos meses, embora ainda estejam muito abaixo de seu patamar mais elevado.
Bendine diz que economizará recursos cancelando o pagamento dos dividendos deste ano, cortando os gastos de capital e se desfazendo de US$ 14 bilhões em ativos até o fim do ano que vem - se vai encontrar compradores para eles é outra história.
O futuro da companhia não depende apenas de seus executivos. É preciso que os políticos, além de parar de roubar, abstenham-se de interferir. O PT da presidente Dilma Rousseff obrigou a Petrobrás a vender petróleo importado com prejuízo, a fim de manter os preços baixos nos postos de combustível do país. Isso provocou uma sangria financeira na empresa. Agora o governo permitiu um aumento nos preços, mas persistem as pressões políticas, como a exigência de que a Petrobrás pague dividendos elevados, que ajudam a manter em pé as combalidas contas públicas do país. O governo também insiste na ideia de que a Petrobrás conduza a exploração dos campos do pré-sal - uma tarefa para cuja realização a empresa talvez tenha competência técnica, mas não recursos.
Alguns desses problemas cairão no colo da Shell. A gigante anglo-holandesa acaba de adquirir a empresa de energia britânica BG, que tem importantes parcerias com a Petrobrás. Bendine cogita ampliar as parcerias. A Shell dispõe de dinheiro em caixa e know-how, mas talvez prefira avançar com cautela num país em que à vanglória sobrevém a ruína e onde o que não falta é incúria e improbidade.

Resultados do Balanço da Petrobrás auditado

Um passo importante no processo de recuperação da Petrobrás foi dado com a divulgação do Balanço de 2014 auditado. Foi registrado um prejuízo de R$21,587 bilhões (em 2013 foi contabilizado lucro de R$23,6 bilhões). Certamente, as informações divulgadas, de forma transparente, vai melhorar a confiança dos acionistas, do mercado e da sociedade, entretanto, acentua a problemática da corrupção e da ineficiente gestão no passado recente. O rombo somou R$50,4 bilhões, sendo R$44,3 bilhões oriundos da redução dos ativos, fundamentalmente, nos projetos das refinarias de Abreu Lima em Pernambuco e Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro - Comperj. Como fatores responsáveis, foram identificados a quada do preço do petróleo, a redução da demanda e os atrasos em projetos de refino. Uma outra parcela de R$6,2 bilhões, relativos a baixa de gastos adicionais capitalizados indevidamente (corrupção), completa o rombo registrado. Este valor pode aumentar com o avanço das investigação.

Entrevista sobre empreendedorismo

http://youtu.be/vE_okCTmDMA