sábado, 30 de agosto de 2014

A força da economia tradicional: o caso de Ibitinga (SP)

http://redeglobo.globo.com/como-sera/noticia/2014/08/com-pouca-mao-de-obra-capital-do-bordado-investe-em-capacitacao.html

A rede globo apresentou uma matéria  muito interessante sobre o município de Ibitinga (SP), considerado como a capital nacional do bordado. É importante observar o potencial da atividade privada, mesmo sendo considerada como tradicional. Observe no quadro comparativo que o município opera com 2.220 empresas, o que significa 2,99 vezes o número de empresas em São João da Barra, município sede do complexo portuário do Açu, além de produtor de petróleo. O número de trabalhadores assalariados também é maior 28,19% e a participação percentual do emprego na indústria equivale a 53,66% do total, enquanto em São João da Barra não passa dos 10%. Considerando ser a atividade industrial o elemento motivador da dinâmica econômica, temos mais munições contra os projetos ancorados em recursos naturais, como os que ocorrem em São João da Barra. Importante observar que Ibitinga não tem porto e nem produz petróleo.
Os dados do setor financeiro corroboram com a nossa tese. O setor financeiro do Município paulista tem operações de crédito 4,4 vezes maior do que o município petroleiro do RJ e o saldo  de depósito privado é maior 2,6 vezes. Para não negar indicadores ruins em Ibitinga, investimento público e tributação própria são deficientes. Ou seja, enquanto o setor privado é dinâmico e gera emprego e renda, a gestão pública é precária. Em São João da Barra, tanto o setor público como o setor privado são precários.  

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Segundo trimestre de retração econômica no País em 2014

Pesquisa divulgada pelo IBGE mostra queda de 0,6% do PIB no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre de 2014. Na comparação com o mesmo período de 2013, a queda é 0,9%. Pior é que o encolhimento do PIB foi puxado pela industria com queda de 1,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano. A indústria automobilística, pela importância  de sua cadeia produtiva, deixa um rastro de desemprego, em função da baixa propensão interna a consumir, do enfraquecimento do setor externo e ainda da agressiva concorrência asiática na produção de componentes. Essa combinação aumenta a formação de estoque involuntário e deprime o investimento. No gráfico acima, pode ser observada a trajetória de queda na taxa de investimento, no segundo trimestre de cada ano. Despencou o investimento, assim como a taxa de poupança bruta, criando expectativas negativas sobre os períodos seguintes. Pela ótica do dispêndio, a queda do PIB foi empurrada pelo investimento que recuou 5,3% no segundo trimestre, em relação ao primeiro trimestre de 2014. A recessão técnica está instalada, já que se repete o quadro de retração econômica nos dois trimestres do ano.
http://blogdopedlowski.com/2014/08/29/conceicao-de-mato-dentro-como-o-prenuncio-do-que-podera-vir-no-porto-do-acu-quando-o-mineroduto-comecar-a-funcionar/

Ganho real do salário mínimo perde folego com a resistência da inflação

A previsão do salário mínimo para 2015 é de R$ 788,06 (setecentos e oitenta e oito reais e seis centavos), o que representa um crescimento nominal de 8,84% em relação ao salário mínimo de 2014. Considerando que o reajuste segue a lei de valorização do salário mínimo, cuja base é o índice de inflação desse ano e o percentual de crescimento econômico do ano anterior ao da Lei Orçamentária, a mesma previsão poderá ser alterado em função do fechamento do calculo da inflação no final deste ano. De qualquer forma, o gráfico mostra que apesar do ganho real do salario minimo frente a inflação, o mesmo ganho vem encolhendo na trajetória do tempo. Observe que apesar da crise internacional em 2008, no ano seguinte a inflação regride, enquanto se amplia o reajuste do salario mínimo. Nos anos de 2010 e 2011, ocorre exatamente o inverso, a inflação sobre e a correção do salário mínimo retrai quase anulado o ganho real em 2011. Em 2012 ocorre uma boa recuperação, invertendo o quadro nos anos seguintes, com pouco espaço para ganho real do salário mínimo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Estimativa da população em 2014 na região Norte Fluminense

O IBGE divulgou a estimativa de população em 2014 para os municípios brasileiros. A tabela apresenta os números estimados para a região Norte Fluminense em 2014, os números relativos ao censo de 2010, com as respectivas taxas de evolução. Os municípios de Cardoso Moreira e São Francisco de Itabapoana perderam população no período analisado e as expectativas de crescimento em São João da Barra, por conta do porto do Açu, foram frustadas.
Veja no gráfico as taxas de evolução percentual nos nove municípios da região. Macaé apresentou a maior taxa de crescimento, ou 11,06% no período, seguido por Carapebus com 10,14% e Quissamã com crescimento de 9,97%. O município de São João da Barra apresentou um crescimento população, segundo a estimativa do IBGE, de 4,66%. No inicio das obras do porto do Açu, a expectativa era de que em 15 anos a população no município chegaria a 250.000 habitantes. Mais um indicador frustrante no município, já que a mesma população deveria estar estar próximo dos 102.000 habitantes em 2014, segundo as previsões do governo e do empreendedor. 

Divulgação

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DE CAMPOS
Caros colegas,
Envio o cartaz de divulgação da palestra do professor Danilo Marcondes – “A Descoberta do Novo Mundo e o Ceticismo Moderno” – e solicito, por gentileza, ajuda na divulgação.
Dia: 10/09/14
Horário: 16 horas

Local: Auditório da Universidade Federal Fluminense UFFRua José do Patrocínio, 71/75 – Centro – Campos dos Goytacazes.

Prof. Dr. Luiz Claudio Duarte

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O território como elemento dinâmico do desenvolvimento

Desde o inicio do século passado as discussões sobre desenvolvimento local/regional acentua o fundamento "Capital Social", conceitualmente representado por um conjunto de elementos intangíveis que fazem parte do quotidiano das pessoas, tais como: cooperação, orgulho de pertencer ao local, iniciativas coletiva, civismo, ética e respeito.

Recentemente, Albagli (2004) orientou sobre o fato da comunicação entre os indivíduos pertencentes a um território, a partir de um processo cumulativo de troca de experiências, se caracterizar como o principal atributo social na formação da territorialidade. Esta territorialidade, por sua vez, representa uma poderosa estratégia de organização para o processo de desenvolvimento local.

Baseado nesse contexto, podemos resgatar num passado próximo um estado de territorialidade, onde o comportamento das pessoas era bastante diferente. Podemos lembrar da função legislativa sem remuneração, onde os homens de representatividade e de bons serviços prestados no seu local, exerciam mandatos de vereadores motivados pelo bem servir. Podemos lembrar também as manifestações culturais e religiosas organizadas pela população que não media esforços em sua implementação. As pessoas usavam tempo e recursos próprios ou captados de terceiros para manter viva a sociedade, onde o governo passava despercebido. Existia, efetivamente, uma sociedade onde as relação sociais eram consistentes, o senso de pertencimento aguçado, forte percepção sobre a necessidade da ação coletiva, alto padrão de respeito mútuo e civismo. Esse quadro materializava a existência de "capital social", que para os mais antigos representava uma pratica comum, uma cultura.


Todavia, na modernidade globalizada, onde o processo concorrencial é excludente, essa estrutura de capital social representa uma potencial estratégia para o desenvolvimento local. Porém, como podemos verificar, o quadro que se apresenta é bem diferente. Os aspectos já citados do capital social não são tão fáceis de se encontrar. Aliás, no território representado pela região Norte Fluminense, não seria exagero afirmar que são raros e, portanto, uma condição que inibe o processo de evolução ao desenvolvimento. Conforme já discutimos, os investimentos exógenos, por si só, não garantem desenvolvimento, sendo, portanto, essencial a reconstrução de um certo padrão de capital social e a sua utilização no processo de governança para o desenvolvimento. Assim, combinar ações endógenas, a partir da organização social no território, com os investimentos exógenos, pode caracterizar a estratégia fundamental para o desenvolvimento local/regional.