sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Erro do IBGE muda o indice de Gini em 2013



IBGE afirma que errou e corrige dados sobre desigualdade no país
PEDRO SOARES
DO RIO
19/09/2014  18h51 - Atualizado às 19h10
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta sexta-feira (19) que a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada ontem, continha erros. O problema teria ocorrido porque o peso das regiões metropolitanas foi superestimado em alguns Estados.
Segundo o instituto, erros no cálculo da pesquisa alteraram o índice de Gini, medida da desigualdade. O Gini do trabalho, que mensura exclusivamente a distribuição dos rendimentos do trabalho, passou de 0,496 em 2012 para 0,495 no ano passado, o que para o instituto indica uma estagnação.
Antes, o IBGE havia informado que o indicador tinha ficado em 0,498.
Também mudou a estimativa do rendimento médio do trabalhador, que passou de uma expansão de 5,7%, divulgada na quinta-feira, para uma alta menor, de 3,8%.
A renda foi reestimada de R$ 1.681 para R$ 1.651.
Outra mudança importante ocorreu na taxa de analfabetismo de 2013, que foi corrigida de 8,3% para 8,5%, pouco abaixo dos 8,7% de 2012.
A expansão do número de pessoas ocupadas também sofreu mudanças. Na quinta, foi divulgado um índice de 7,2%, corrigido para 6,3% nesta sexta.
Já a taxa de desemprego não sofreu alteração e ficou em 6,5% no ano passado –acima do 6,1% de 2012.
O MOTIVO
De acordo com o IBGE, os problemas nos dados da Pnad ocorreram porque a Coordenação de População enviou projeções incorretas de sete Estados em que há mais de uma região metropolitana. É o caso de Ceará, Pernambuco, São Paulo, Paraná, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
A Pnad divulga resultados para cada unidade federativa e para nove regiões metropolitanas (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre).
Nos Estados dessas nove regiões metropolitanas, a calibração dos dados é feita considerando a projeção de população para a região metropolitana da capital e para o restante do Estado, separadamente.
No sete Estados afetados pelo erro existem outras regiões metropolitanas, além das localizadas nas capitais.
De acordo com o IBGE, no processo de expansão da amostra da Pnad foi utilizada, equivocadamente, a projeção de população de todas as áreas metropolitanas em vez da projeção da população da região metropolitana na qual está inserida a capital.
Segundo Cimar Azeredo Pereira, coordenador do IBGE, a renda das regiões metropolitanas é maior e o peso delas foi superestimado nesses sete Estados. Desse modo, as maiores mudanças ocorreram na renda e no índice de Gini.
INTERFERÊNCIA
O diretor de pesquisas do instituto, Roberto Olinto, disse que não há interferência política na alteração dos resultados.
"A questão se resume a um erro técnico. Não houve a menor pressão nem interferência."
Para a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, apesar do erro, a análise dos dados não mudou. "A notícia não mudou. O Gini [medida da desigualdade] segue constante, estável."
A greve, segundo Olindo, não afetou o trabalho da Pnad nem a coleta dos dados, encerrada no começo deste ano.
Ele afirma que o erro foi identificado a partir de contatos de usuários da pesquisa, como consultorias e órgãos de governo. Entre eles, estão o Ipea e Ministério de Desenvolvimento Social.
Para Bivar, se for identificado que algum ato foi intencional, haverá punição. "Precisamos avaliar o que ocorreu.

"A mudança do índice de Gini no País, "de aumento para estabilização" não altera a nossa discussão anterior, a não ser pela substituição da afirmativa "piora a desigualdade no país", por "estabilidade do nível de  desigualdade em 2013".

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Piora a desigualdade no País em 2013



Segundo o IBGE, a renda dos 10% mais ricos no país cresceu 5,7%, enquanto a renda dos 10% mais pobres cresceu 3,5% em 2013. Tal fato mostra uma mudança de tendência, já que o processo de melhora na distribuição de renda, desde plano real, foi interrompido nesse ano. Esse cenário ocorre em um ambiente de fraco crescimento econômico, retração do mercado de trabalho, mesmo com o esforço do governo na redução de impostos para o setor industrial, dentre outros incentivos fiscais. Esses indicadores confirmam os equívocos da política econômica. Políticas de curto prazo, focadas na demanda, são extrapoladas para períodos prolongados sem a devida sintonia com os elementos fundamentais da oferta agregada.

Voltar à classe média é um baque gigantesco', afirma Eike Batista



Folha de São Paulo
SAMANTHA LIMA
DO RIO
17/09/2014  18h09 - Atualizado às 21h27
De sétimo homem mais rico do mundo, o empresário Eike Batista diz considerar "um baque gigantesco" ter voltado, dois anos depois, à mesma classe média em que nasceu.
Seu patrimônio, estimado em US$ 30 bilhões, em 2012, foi reduzido, segundo suas contas, a US$ 1 bilhão negativo.
Esse é o débito que ainda lhe sobraria caso vendesse todas as ações das empresas Ogpar, OSX, MMX (das quais ainda é controlador), além da Prumo (ex-LLX) e Eneva (ex-MPX), ambas vendidas, respectivamente, aos grupos EIG, dos Estados Unidos, e E.On, alemão.
"Nasci como um jovem de classe média e você voltar para isso...é um negócio para mim, sabe, é óbvio que é um baque gigantesco na família", disse.
Eike volta a falar depois de mais de um ano do silêncio em que mergulhou quando suas empresas começaram a ruir.
E escolheu o dia seguinte à determinação da Justiça de bloquear suas contas. O objetivo é quitar "danos difusos" causados pela suposta manipulação do mercado financeiro e negociação de ações com base em informação privilegiada, segundo denúncias que o Ministério Público Federal fez no Rio e em São Paulo nos últimos dias.
Segundo a investigação do MPF, e conforme antecipado pela Folha em novembro de 2013, desde 2012 o empresário tinha conhecimento das avaliações feitas por empresas externas e grupos de trabalho que apontavam a inviabilidade comercial dos reservatórios de petróleo.
Eike nega. Ele também se defendeu "As ações não eram minhas. Eram de credores e eram para pagar dívida com eles", diz.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Justiça manda bloquear contas de Eike Batista, diz advogado



JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO



A Justiça Federal do Rio determinou o bloqueio dos valores em conta corrente nos bancos brasileiros de Eike Batista, informou o advogado do empresário Sérgio Bermudes.
De acordo com Bermudes, os bancos foram "oficiados" a informar à Justiça sobre os saldos em contas correntes no CPF do empresário.
Seria o desdobramento do recebimento, pela Justiça, da denúncia feita pelo Ministério Público Federal na semana passada, por crimes de manipulação de mercado e negociação de ações com informação não pública ("insider trading"), supostamente praticados pelo empresário com papéis da OGX.
Junto com a denúncia, os procuradores federais Rodrigo Poerson e Orlando Cunha haviam pedido ao juiz o bloqueio de bens no valor de R$ 1,5 bilhão.
Mas, segundo Bermudes, não há valores suficientes nas contas. "O que existe nas contas é para subsistência, e não chega perto desse total", disse o advogado, sem informar quais seriam os valores disponíveis. Informou, ainda, que os advogados vão comprovar à Justiça quais são os valores que o empresário movimenta mensalmente para suas despesas básicas e que, portanto, estariam livre dos bloqueios.
De acordo com Bermudes, ainda não houve bloqueio de imóveis ou de ações de titularidade de Eike.
Procurados, nem a Justiça Federal do Rio nem o Ministério Público Federal confirmaram ou negaram ter ocorrido o bloqueio.
ACUSAÇÕES
A denúncia apresentada pelo MPF na semana passada foi recebida nesta segunda-feira (15) pela Justiça Federal do Rio.
Eike é acusado de manipulação de mercado e negociação de ações com base em informações não públicas, relacionados a negociações com ações da OGX.
Os dois crimes são previstos na Lei 6.385/76, que regula o funcionamento do mercado de capitais.
O juiz Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Federal, mandou citá-lo, o que, na prática, representa a abertura de um prazo de dez dias para que o empresário faça uma defesa preliminar.
"Na ocasião, poderá o réu arguir preliminares e alegar tudo o que interessa à sua defesa, oferecer documentos, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, com o respectivo endereço, justificando a necessidade de sua oitiva e intimação, quando for o caso", informa o juiz.
Terminado o prazo, a Justiça Federal decidirá se vai julgar Eike pelos supostos crimes. Se condenado, a pena para manipulação de mercado vai de um a oito anos de detenção e o de "insider", de um a cinco anos.
DENÚNCIA
A denúncia foi apresentada pelos procuradores federais no Rio de Janeiro Rodrigo Poerson e Orlando Cunha. Segundo a investigação, Eike valeu-se de informações não divulgadas em duas ocasiões para negociar ações da OGX que tinha em mãos.
As negociações, observa o juiz com base na denúncia, ocorreram depois de dois fatos relevantes, em 24 de fevereiro de 2012 e 13 de março de 2013.
Eles forneciam informações sobre potenciais de reservas, dando conta de que as acumulações Pipeline, Fuji e Ilimani teriam entre 521 milhões e 1,33 bilhão de barris de petróleo, "tendo sido omitidas as informações referentes às conclusões técnicas e financeiras da Schlumberger e as análises de grupo de Trabalho" da empresa, que concluíram pela inviabilidade financeira da exploração das áreas.
A caracterização de crime contra o mercado, na opinião dos procuradores, também se dá pelo fato de o empresário ter divulgado fato relevante em que se comprometia a aportar US$ 1 bilhão na empresa, "sem que nunca teria havido intenção de adimplir o contrato", afirma o juiz na decisão.
A existência de documentos que já indicavam a inviabilidade das reservas em 2012 foi alvo de reportagem da Folha publicada em novembro de 2013.