domingo, 31 de agosto de 2014

Grandes investimentos ancorados em recursos naturais empurram a riqueza para fora

Para fechar o mês de agosto e comprovar mais uma vez a escandalosa queima de riqueza sem benefícios correspondentes para a sociedade local em municípios produtores de petróleo, como São João da Barra, que ainda é sede do porto do Açu, preparamos uma análise comparativa com outros municípios de pequeno porte no país, calculando a relação PIB (riqueza gerada nos municípios) e os seus reflexos na geração de salários e outras remunerações no ano de 2011. A tabela apresenta os valores correspondentes ao Produto Interno Bruto (PIB), pessoal ocupado total, valor de salários e outras remunerações correspondentes e a relção PIB / renda total nos diversos municípios selecionados no País.
Vejam que São João da Barra precisa usar R$ 44,9 mil para gerar R$ 1,0 mil de salários e outras remunerações, com um quantitativo de 8.762 trabalhadores com ocupação total. Observem que essa relação é 8,5 vezes maior do que a média dos municípios relacionados. Na comparação com o com a melhor relação que é a de Farroupilha no Rio Grande Sul, o nosso resultado passa de 10 vezes.
O gráfico mostra melhor a relação entre os municípios.
Com uma avaliação mais detalhada do gráfico, acredito não haver mais dúvidas sobre os nossos questionamentos em relação aos grandes investimento ancorados em recursos naturais. Uma parte significativa da riqueza foge e temos que absorver externalidades negativas em todos os níveis (sociais, ambientais, culturais e econômicas).
Os municípios selecionados apresentam características diferentes de São João da Barra, os sistema econômicos estão baseados em atividades tradicionais, onde os investimentos são motivados pelos recursos locais/regionais, gerando ações endógenas, fundamentalmente. As lideranças dos municípios produtores de petróleo e beneficiários de grandes obras infraestruturais,  estão ignorando estratégias endógenas, já que as transferência institucionais são robustas e não exigem nenhum esforço interno. 

sábado, 30 de agosto de 2014

A força da economia tradicional: o caso de Ibitinga (SP)

http://redeglobo.globo.com/como-sera/noticia/2014/08/com-pouca-mao-de-obra-capital-do-bordado-investe-em-capacitacao.html

A rede globo apresentou uma matéria  muito interessante sobre o município de Ibitinga (SP), considerado como a capital nacional do bordado. É importante observar o potencial da atividade privada, mesmo sendo considerada como tradicional. Observe no quadro comparativo que o município opera com 2.220 empresas, o que significa 2,99 vezes o número de empresas em São João da Barra, município sede do complexo portuário do Açu, além de produtor de petróleo. O número de trabalhadores assalariados também é maior 28,19% e a participação percentual do emprego na indústria equivale a 53,66% do total, enquanto em São João da Barra não passa dos 10%. Considerando ser a atividade industrial o elemento motivador da dinâmica econômica, temos mais munições contra os projetos ancorados em recursos naturais, como os que ocorrem em São João da Barra. Importante observar que Ibitinga não tem porto e nem produz petróleo.
Os dados do setor financeiro corroboram com a nossa tese. O setor financeiro do Município paulista tem operações de crédito 4,4 vezes maior do que o município petroleiro do RJ e o saldo  de depósito privado é maior 2,6 vezes. Para não negar indicadores ruins em Ibitinga, investimento público e tributação própria são deficientes. Ou seja, enquanto o setor privado é dinâmico e gera emprego e renda, a gestão pública é precária. Em São João da Barra, tanto o setor público como o setor privado são precários.  

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Segundo trimestre de retração econômica no País em 2014

Pesquisa divulgada pelo IBGE mostra queda de 0,6% do PIB no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre de 2014. Na comparação com o mesmo período de 2013, a queda é 0,9%. Pior é que o encolhimento do PIB foi puxado pela industria com queda de 1,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano. A indústria automobilística, pela importância  de sua cadeia produtiva, deixa um rastro de desemprego, em função da baixa propensão interna a consumir, do enfraquecimento do setor externo e ainda da agressiva concorrência asiática na produção de componentes. Essa combinação aumenta a formação de estoque involuntário e deprime o investimento. No gráfico acima, pode ser observada a trajetória de queda na taxa de investimento, no segundo trimestre de cada ano. Despencou o investimento, assim como a taxa de poupança bruta, criando expectativas negativas sobre os períodos seguintes. Pela ótica do dispêndio, a queda do PIB foi empurrada pelo investimento que recuou 5,3% no segundo trimestre, em relação ao primeiro trimestre de 2014. A recessão técnica está instalada, já que se repete o quadro de retração econômica nos dois trimestres do ano.
http://blogdopedlowski.com/2014/08/29/conceicao-de-mato-dentro-como-o-prenuncio-do-que-podera-vir-no-porto-do-acu-quando-o-mineroduto-comecar-a-funcionar/

Ganho real do salário mínimo perde folego com a resistência da inflação

A previsão do salário mínimo para 2015 é de R$ 788,06 (setecentos e oitenta e oito reais e seis centavos), o que representa um crescimento nominal de 8,84% em relação ao salário mínimo de 2014. Considerando que o reajuste segue a lei de valorização do salário mínimo, cuja base é o índice de inflação desse ano e o percentual de crescimento econômico do ano anterior ao da Lei Orçamentária, a mesma previsão poderá ser alterado em função do fechamento do calculo da inflação no final deste ano. De qualquer forma, o gráfico mostra que apesar do ganho real do salario minimo frente a inflação, o mesmo ganho vem encolhendo na trajetória do tempo. Observe que apesar da crise internacional em 2008, no ano seguinte a inflação regride, enquanto se amplia o reajuste do salario mínimo. Nos anos de 2010 e 2011, ocorre exatamente o inverso, a inflação sobre e a correção do salário mínimo retrai quase anulado o ganho real em 2011. Em 2012 ocorre uma boa recuperação, invertendo o quadro nos anos seguintes, com pouco espaço para ganho real do salário mínimo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Estimativa da população em 2014 na região Norte Fluminense

O IBGE divulgou a estimativa de população em 2014 para os municípios brasileiros. A tabela apresenta os números estimados para a região Norte Fluminense em 2014, os números relativos ao censo de 2010, com as respectivas taxas de evolução. Os municípios de Cardoso Moreira e São Francisco de Itabapoana perderam população no período analisado e as expectativas de crescimento em São João da Barra, por conta do porto do Açu, foram frustadas.
Veja no gráfico as taxas de evolução percentual nos nove municípios da região. Macaé apresentou a maior taxa de crescimento, ou 11,06% no período, seguido por Carapebus com 10,14% e Quissamã com crescimento de 9,97%. O município de São João da Barra apresentou um crescimento população, segundo a estimativa do IBGE, de 4,66%. No inicio das obras do porto do Açu, a expectativa era de que em 15 anos a população no município chegaria a 250.000 habitantes. Mais um indicador frustrante no município, já que a mesma população deveria estar estar próximo dos 102.000 habitantes em 2014, segundo as previsões do governo e do empreendedor. 

Divulgação

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DE CAMPOS
Caros colegas,
Envio o cartaz de divulgação da palestra do professor Danilo Marcondes – “A Descoberta do Novo Mundo e o Ceticismo Moderno” – e solicito, por gentileza, ajuda na divulgação.
Dia: 10/09/14
Horário: 16 horas

Local: Auditório da Universidade Federal Fluminense UFFRua José do Patrocínio, 71/75 – Centro – Campos dos Goytacazes.

Prof. Dr. Luiz Claudio Duarte