domingo, 24 de maio de 2015

Movimentação do emprego formal em abril na região Serrana

Por Maécio Pinto Baptista, graduando em Engenharia de produção na UENF.

O país vivencia uma crise econômica refletida nos diversos setores da economia nacional, estadual e regional. Não precisa investigar em revistas e relatórios de consultorias especializadas para verificar os sinais da crise, basta fazer suas compras mensais em qualquer supermercado.

Um sinal da decadência econômica nacional e regional é a situação do emprego formal no primeiro quadrimestre de 2015. De forma geral, os resultados de emprego são negativos na avaliação entre admissões e desligamentos nos primeiros meses do ano.
Como exemplo desse cenário, vamos analisar o primeiro quadrimestre do ano de 2015 na microrregião de Nova Friburgo e Serrana, considerando os municípios que fazem parte das respectivas microrregiões. Os dados aqui citados provêm do MTE.

 A contexto de comparação, a Figura acima apresenta dados gerais do mês de abril e do acumulado do quadrimestre para as microrregiões analisadas, o estado do Rio de Janeiro e Brasil. Foram eliminados 97,8 mil empregos no mês de abril e 162,7 mil empregos no primeiro quadrimestre do ano no país. O Estado do Rio de Janeiro eliminou 12,5 mil empregos no mês de abril e 60,2 mil empregos no primeiro quadrimestre do ano.

Como dito anteriormente, a Região Serrana, representada elas microrregiões Serrana e Nova Friburgo, não se apresentam de forma diferente no que tange os dados relacionados aos empregos formais no período analisado, ressalvas algumas elevações nas taxas, mas que, no conjunto, não alteram o cenário decadente. A figura a seguir irá apresentar os dados de cada município com mais detalhes.

A microrregião de Nova Friburgo, depois de uma elevação em março, onde foram gerados 127 empregos formais no mês, continuou gerando empregos. No mês de abril foram gerados 99 empregos formais, contabilizando todos os setores. O município que mais influenciou na elevação da taxa foi, justamente, o mais importante economicamente para a microrregião: Nova Friburgo, com geração de 154 empregos formais no mês. Aliás, Nova Friburgo se destaca por apresentar saldo positivo no acumulado do ano, com a geração de 114 empregos nos primeiros quatro meses. O setor que impulsionou essa alta foi o de Comércio com 98 empregos gerados, seguido pela setor da Indústria de Transformação que gerou 38 empregos. Sumidouro, com geração de 1 emprego foi o único, além de Nova Friburgo, que apresentou saldo positivo no mês de abril nessa região. O saldo positivo da microrregião não foi maior devido ao desemprego gerado em Bom Jardim, com eliminação de 51 empregos. Contudo, a região ainda apresenta taxa de desemprego no primeiro quadrimestre do ano, com eliminação de 39 empregos formais.

Em contrapartida, a microrregião Serrana apresentou taxa de desemprego, correspondendo à realidade apresentada pelo Estado e pelo país, de forma geral. Foram eliminados 341 empregos em toda a microrregião no mês, número este impulsionado pelos 2.414 desligamentos observados em Petrópolis, que resultaram na eliminação de 261 empregos no município. Todos os três municípios da microrregião Serrana apresentaram números de eliminação de empregos. O setor que mais contribuiu para o saldo negativo foi de Construção Civil, com eliminação de 195 empregos. A microrregião Serrana apresenta, agora, no acumulado dos primeiros quatro meses do ano, um total de 864 empregos eliminados, constatando gravíssima crise enfrentada pelo país.

Apesar da microrregião de Nova Friburgo ter apresentado saldos positivos em Março e Abril, o cenário ainda é grave, visto que o acumulado da região também é negativo como em todo o país. Pensar soluções no curto e médio prazo é essencial para o amortecimento da crise regionalmente.

Remuneração média de admissão no período de janeiro a abril de 2015

A remuneração média no primeiro quadrimestre do ano, para os municípios selecionados, permite algumas avaliações importantes. O exemplo de Macaé deixa claro a sua condição de base principal das empresas que atuam no setor de petróleo. Nesse caso, observa-se uma remuneração expressiva no setor extrativa mineral, fundamentalmente, pela influência da ocupação de "técnico de planejamento de produção". destaque também para a remuneração nos setores de construção civil e serviços.
Em Campos dos Goytacazes, a remuneração nos diversos setores de atividade mostra a fragilização do sistema econômico, onde a maior remuneração média, assim como, o maior saldo ocorreu na ocupação de "técnico de enfermagem".
Em São João da Barra, sede do porto do Açu, o setor de indústria de transformação apresenta destaque, exatamente, pelas constatações do porto do Açu nas ocupações de "alimentador de linha de produção" e "mecânico de manutenção de máquinas" que apresentaram os maiores saldos. O setor de serviços também apresenta destaque, por conta do porto do Açu. Vale notar, entretanto, que a expressiva remuneração da atividade industrial e de serviços, parece não impulsionar o comércio local que apresenta a menor remuneração entre os três municípios. O município apresenta um histórico de eliminação de vagas no comércio, o que comprova a hipótese de que as vagas relativas as ocupações de melhor remuneração são preenchidas por profissionais de outras regiões que transferem parte da renda para a sua origem. Desta forma, parte substancial da  riqueza gerada foge com reflexos negativos para a dinâmica do comércio local.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Movimentação do emprego formal em abril na região Norte Fluminense

Os dados de emprego do MTE de abril não deixa dúvidas sobre a crise econômica no país, assim como, os seus reflexos nos estados e municípios. Foram eliminados 97,8 mil empregos no mês e 162,7 mil empregos no primeiro quadrimestre do ano no país. O estado do Rio de Janeiro eliminou 12,5 mil empregos em abril e 60,2 empregos no quadrimestre do ano.
Na região Norte Fluminense, o quadro não é diferente. Depois de um respiro em março, quando foi gerado 967 empregos no mês, saldo puxado por Macaé, em abril o saldo foi negativado em -872 vagas. Macaé eliminou 860 vagas no mês e 1.831 vagas no quadrimestre. A construção civil lidera o desastre com a eliminação de 863 empregos nos quatro meses do ano, seguido pelo comércio que eliminou 448 vagas de emprego, a indústria de transformação que eliminou 210 vagas e o setor de extrativa mineral que eliminou 191 vagas no município.  
Campos dos Goytacazes eliminou 35 vagas  em abril e 1.704 vagas no quadrimestre. O comércio eliminou 673 vagas, seguido pela indústria de transformação que eliminou 477 vagas. O setor de serviços criou 339 vagas, a agropecuária que eliminou 317 vagas e a construção civil eliminou 278 vagas no quadrimestre no município.
São João da Barra eliminou 33 vagas no mês e 544 vagas no quadrimestre. O setor de construção civil liderou com a eliminação de 322 vagas no período de janeiro a abril, enquanto o setor de serviços eliminou 205 vagas e o comércio eliminou 34 vagas no mesmo período no município.
A situação é grave e sem soluções no curto prazo. Quanto mais rápido planejar o trabalho produtivo, com a inserção do conhecimento,  mais próximo da saída da crise estaremos.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O problema da desigualdade

RIO - Relatório produzido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) “In It Together: Why Less InequalityBenefits All”(”Nisso Juntos: Por que menos desigualdade beneficia a todos”), lançado nesta quinta-feira, aponta um cenário de desigualdade crescente nos países desenvolvidos.

Jornal o Globo

Mudanças profundas nos mercados de trabalho a partir da globalização e das mudanças tecnológicas e reformas regulatórias estão por detrás disso, com impacto sobre a renda das famílias, segundo a organização. No grupo de países que compõem o grupo, os 10% mais ricos ganhavam 9,6 vezes mais que os 10% mais pobres em 2013. Na década de 80, essa distância era de sete vezes para os ricos. Na década de 90, pulou para oito vezes, e nos anos 2000, para nove vezes.
Segundo o documento, desde meados dos anos 80 até 2013, houve alta do coeficiente de Gini (indicador que mede a concentração de renda: quanto mais perto de 0, melhor) em 17 dos 22 países. Em quatro, houve apenas uma ligeira mudança: Bélgica, Holanda, França e Grécia. O único país a ter queda de desigualdade no período foi a Turquia. O coeficiente de Gini ficou em 0,32 na média dos países da OCDE, em 2013. Nos Estados Unidos e na Turquia, chegou a 0,4 e se aproxima de 0,5 no Chile e no México. Na década de 80, era de 0,29.
Em várias economias emergentes, sobretudo na América Latina, a desigualdade de renda foi reduzida, mas o patamar das desigualdades se mantém entre as maiores economias do grupo de países. O Brasil e o programa Bolsa Família são citados como exemplo de redução da desigualdade.
Segundo o relatório, em média, os lares dos 10% mais ricos detêm a metade da riqueza total, enquanto os 40% mais pobres detêm pouco mais de 3%. Segundo a OCDE, o principal problema para o crescimento econômico é que elevados níveis de endividamento podem afetar a capacidade da classe média baixa de realizar investimentos em educação e formação.

QUEDA DO EMPREGO DURANTE A CRISE ALIMENTOU DESIGUALDADE
Durante a crise econômica de 2008, a desigualdade de renda continuou a avançar devido à queda do emprego, mesmo que a redistribuição, via impostos e transferências, tenha compensado em parte esse movimento. A renda disponível real ficou estagnada ou caiu na maior parte dos países da OCDE entre os anos de 2007 e 2011. Na Grécia, os lares perderam em média mais de 8% de sua renda real líquida por ano. Na Espanha, Irlanda, e Islândia, a média das perdas foi de 3,5%.
Os grupos na base da pirâmide perderam ainda mais em países como a Espanha, onde a renda dos 10% mais pobres caiu quase 13%. Entre os 10% mais ricos, a queda foi bem inferior: 1,5%. Em cerca da metade daqueles países, a renda dos 10% mais ricos foi melhor que a dos 10% mais pobres. Na Áustria, Dinamarca, França e Estados Unidos, a renda do topo cresceu em termos reais enquanto a dos mais pobres caiu.
Nas duas décadas anteriores à crise econômica global, a média da renda disponível real cresceu em média a 1,6% entre os países da OCDE. Com a exceção do Japão, a renda real cresceu tanto no topo quanto na cauda dos ganhos em cada país. Mas em três quartos dos países, a renda dos lares dos 10% mais ricos cresceu num ritmo superior a dos 10% mais pobres, o que levou a ao aumento da desigualdade.
Segundo a entidade, a desigualdade afeta o crescimento econômico ao atingir o chamado capital humano. Enquanto existe sempre uma distância entre a escolarização entre os indivíduos de diferentes backgrounds sócio-econômicos, essa distância se amplifica em países altamente desiguais. Isso resulta em uma grande parcela de potencial desperdiçado e de baixa mobilidade social.
EMPREGO TEMPORÁRIO É RISCO
O relatório faz um alerta sobre o efeito do emprego temporário e por conta própria no aumento da desigualdade social. Segundo o documento, esse tipo de inserção representa cerca de um terço do total do emprego nos países da OCDE. Desde meados de 90, mais da metade de toda a criação de empregos foi nessa forma. Em muitos países, trabalhadores jovens, em especial aqueles com contratos temporários têm menor chance para se deslocar para um emprego mais estável.
"Muitos trabalhadores não-convencionais estão em situação pior em muitos aspectos de qualidade de emprego, como salários, segurança do emprego e acesso à treinamento. Em particular, trabalhadores temporários de baixa qualificação encaram sanções salariais substanciais, instabilidade de ganhos e crescimento mais lento da renda."
AVANÇO DAS MULHERES FREOU DESIGUALDADE
As mulheres fizeram progresso substancial no mercado de trabalho dos países desenvolvidos e reduziram a distância para os homens em termos de participação e salário. Se a proporção de lares com mulheres que trabalham tivesse permanecido nos níveis dos últimos 25 anos, a desigualdade de renda teria aumentado em quase um ponto acima da média, segundo a OCDE.
O impacto da maior participação de mulheres que trabalham em tempo integral e de salários mais altos para elas representou outro freio de um ponto, segundo a entidade. No entanto, as desvantagens continuam. As mulheres ainda têm 16% menos de chance de estar em um trabalho remunerado e têm salários, em média, 15% inferiores ao dos homens. Esse movimento pôs um freio no crescimento da desigualdade de maneira geral.
O relatório recomenda quatro instrumentos para atacar a desigualdade: remover as barreiras à progressão de mulheres no mercado de trabalho, focar em empregos que ofereçam uma carreira e possibilidade, promover a educação e o potencial de jovens para que eles tenham mais possibilidade no mercado de trabalho e a redistribuição via impostos e transferências.
Nesse caso, o Brasil é citado como exemplo de melhora na melhora das condições de trabalhadores domésticos, "que são predominantemente mulheres" com a aprovação da lei trabalhista para a categoria.

Alíquota de CSLL para bancos deve subir

LORENNA RODRIGUES - O ESTADO DE S.PAULO
21 Maio 2015 | 02h 03
BRASÍLIA - Mesmo antes da aprovação das medidas de corte de gastos e aumentos de impostos no Congresso Nacional, o governo já trabalha em novas frentes para complementar o ajuste fiscal e compensar as perdas impostas na tramitação das medidas. Como alternativa para aumentar a arrecadação, o governo deverá apoiar no Congresso Nacional projeto de lei que aumente a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de instituições financeiras.
Em outra frente, como medida mais estrutural, o ministério da Fazenda pretende enviar até o fim do primeiro semestre o projeto de reforma do PIS e Cofins, para simplificar o ambiente tributário para as empresas.
O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que o governo quer que a mudança, incluindo o aumento da alíquota, entre em vigor em 1o de janeiro de 2016.
O aumento da CSLL para bancos foi discutido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com deputados de várias bancadas nesta semana. Nas conversas, o PSD se ofereceu para apresentar projeto aumentando a alíquota de 15% para 20%.
Na quarta-feira, depois de ouvir de deputados do PMDB pedidos para aumentar a tributação para o setor, Levy chegou a dizer que consideraria o aumento do tributo como um "pleito do PMDB".

A medida é estudada como forma de compensar a economia menor que o esperado resultante das mudanças feitas nas medidas do pacote de ajuste pelo Congresso Nacional. Será complementar ao corte do Orçamento da União, que deverá ser anunciado amanhã.
A avaliação do governo é que a elevação dos impostos para bancos é um tema mais fácil de tramitar no Congresso Nacional do que, por exemplo, as mudanças na área previdenciária.
O expediente já foi até usado em anos anteriores, em momento em que o caixa do governo precisava de reforço. Em 2008, em meio à crise internacional, o governo aumentou, por medida provisória, a alíquota de 9% para os atuais 15%. Em 2014, a CSLL paga por instituições financeiras rendeu ao governo R$ 10,9 bilhões.
Mais ajuste. Já a reforma do PIS/Cofins é um dos principais pontos do que Levy chama de agenda pós-ajuste. A principal mudança é a criação do "crédito financeiro", em que tudo o que a empresa compra pode ser creditado para a apuração do imposto. Hoje, apenas o que a empresa compra como insumo para a produção pode ser creditado.
Como aumentarão os créditos para as empresas, já é consenso que as alíquotas cobradas nas contribuições também terão de ser elevadas. De acordo com Rachid, porém, ainda não há definição sobre as novas alíquotas.

"Uma medida interessante que deve ser acompanhada de maior rigidez no controle do custeio do governo".

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Grandes orçamentos não garantem bem estar social

A luz do debate sobre a queda das receitas de royalties, especialmente, nos municípios produtores de petróleo da Bacia de Campos, predomina a visão de que mais orçamento é necessário para não inviabilizar esses municípios. Esse discurso tem fundamento? Já respondo que não! 
Se considerarmos uma queda média de 40% nas rendas de petróleo nesses municípios e uma dependência orçamentária média a essas rendas de 60%, a redução do orçamento em 2015 deve atingir uma média de 24%.
Observem que o nível histórico de investimento médio nesses municípios não ultrapassa 10% das receitas orçamentárias, o que significa dizer que a redução orçamentária nesse nível não traz interferências no padrão de investimento. Ou seja, os problemas de saneamento básico, aparelhamento da saúde e educação e infraestrutura econômica vão continuar, exatamente, como nos períodos de bonança orçamentária. Isso quer dizer que esses recursos de royalties não foram alocados no melhor padrão de eficiência. Predominou o gasto exagerado em custeio.
Visando um melhor entendimento dessa questão, o gráfico apresenta indicadores de orçamento por habitante em Venda Nova do Imigrante-ES e em São João Barra-RJ. Trata-se de cidades pequenas com grandes diferenças. A primeira vive em função das atividades tradicionais (agricultura, pecuária, turismo), enquanto a segunda é produtora de petróleo e sede do porto do Açu. Conforme podemos observar, o orçamento per capita em São João da Barra em 2014 foi maior 5,4 vezes do que o orçamento per capita de Venda Nova do Imigrante. Porém, quando verificado o padrão de desenvolvimento, baseado do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, somos surpreendidos com um resultado superior, exatamente, no município que tem o menor orçamento por habitante. Ou seja, segundo a última amostragem, Venda Nova do Imigrante com um orçamento por habitante de R$2,3 mil em 2011, tem um índice de desenvolvimento de 0,8121 (alto desenvolvimento), enquanto São João da Barra, com um orçamento por habitante de R$10,5 mil, tem um índice de desenvolvimento de 0,7849 (desenvolvimento moderado). 
Os dados dispostos não deixam dúvidas sobre a nossa argumentação. Grandes orçamentos não garantem o bem estar da população.

O foco na produtividade é a alternativa!

http://www.valor.com.br/brasil/4047700/em-londres-levy-defende-produtividade-maior-para-sustentar-salarios

O ministro não foi tão enfático, mas o caminho para combater a crise está no incentivo a geração de novos negócios produtivos e no fortalecimento dos negócios existentes. No âmbito regional, a preparação do ambiente para atrair processos inovativos e a orientação para uma organização produtiva, baseada na ação coletiva, se constituem nas estratégias essenciais para o processo de transformação socioeconômica. Não existe mágica, os gastos públicos ou privados precisam gerar resultados positivos. Do lado privado, lucro. Do lado público bem estar para as pessoas.