sábado, 19 de julho de 2014

Refletindo sobre progresso social: o caso da região Norte Fluminense

Muito tenho ouvido falar de modernização, fundamentalmente, em função dos grandes investimentos nos setores de petróleo e infraestrutura portuária  na região Norte Fluminense. No âmbito dos municípios, as justificativas para o termo modernização passam essencialmente pelo aumento da população urbana e número de veículos automotores em circulação. Predominam os discursos políticos, onde governos e organizações de interesse disseminam uma visão otimista e sem qualquer base técnica/científica. A desinformação tem sido uma prática que é perversa para o futuro da sociedade regional.

Como contribuição para um melhor entendimento sobre o que realmente quer dizer progresso / modernização de uma sociedade, vamos recorrer ao pai da economia Adam Smith, nascido na Escócia e que viveu no período de 1723 a 1790.   

Em sua reflexão sobre o processo de invenção de máquinas para facilitar e abreviar o trabalho no âmbito da divisão do trabalho, ficou acentuada a importância dos trabalhadores que operavam as atividades e dos filósofos ou pesquisadores. Dessa forma, deduzia o economista....... "com o progresso da sociedade, a filosofia ou pesquisa torna-se, como qualquer ofício, a ocupação principal ou exclusiva de uma categoria especifica de pessoas".

Já em períodos mais recentes, o economista Celso Furtado, refletindo sobre a formação da teoria do subdesenvolvimento, destacou que a modernização da sociedade através da importação de bens de consumo sem a correspondente diversificação dos aparelho produtivo seria o ponto central da dependência tecnológica.

Vejam que enquanto Adam Smith associa o progresso da sociedade à pesquisa, que se transforma na ocupação principal, como um oficio qualquer; Celso Furtado vê a modernização da sociedade, caracterizada pela importação de bens de consumo, como uma situação de dependência tecnológica, condição alimentadora do subdesenvolvimento.


Acredito que a modernidade, tão propalada na região identificada, pode ser bem analisado segundo os ensinamentos dessas referências essenciais para o entendimento da ciência econômica. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Participação relativa do emprego formal em Campos e Macaé

Dados do Ministério do Trabalho (Caged) sobre a distribuição do emprego formal no Estado do Rio de Janeiro, mostram que enquanto Macaé aumenta a sua participação percentual no bolo do Estado, Campos perde participação. O gráfico apresenta o percentual de participação do número de empregos formais no período de 2004 a 2012 para esses municípios. Podemos observar que Campos apresentava um número de empregos equivalente a 2,27% do total do Estado em 2004, evoluindo para 2,71% em 2007. A partir desse ponto, foi verificado uma queda no ano seguinte para 2,38%, chegando ao nível mais baixo de 2% em 2009. Nos três anos seguintes a participação do município no emprego total do Estado se estabilizou em 2,14% em 2010, 2,12% em 2011 e 2,10% em 2012.
Já o município de Macaé, apresentou uma trajetória de crescimento de sua participação ao longo de todo o período. Em 2004, a participação do município era de 2,27%, aumentando gradativamente nos anos seguintes até alcançar 3,18% em 2012. 
Na avaliação sobre o crescimento anual, Macaé apresentou um crescimento médio de 10,65% no período de 2005  a 2012, enquanto Campos dos Goytacazes apresentou um crescimento médio de 3,7% no mesmo período. 
É importante observar nessa análise, a existência de uma base de negócios importante ligada a atividade de petróleo em Macaé e um processo de declínio acentuado da indústria sucroalcooleira em Campos dos Goytacazes. De qualquer forma, fica evidente que o avanço do emprego nesses municípios não é compatível aos investimentos públicos e privados direcionados para a região. Uma outra questão importante diz respeito a extrema necessidade de construção de numa base industrial em Campos dos Goytacazes, já que os setores de serviço e administração pública apresentam dificuldades para formar cadeias produtivas essenciais para a geração de emprego e renda em um padrão de maior sustentabilidade e maior valor adicionado.   

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O perfil do emprego na região Norte Fluminense em junho

O Ministério do Trabalho apresentou os dados de emprego formal no primeiro semestre de 2014. Foram gerados no país 588.671 postos de trabalho no primeiro semestre deste ano. O Estado do Rio de Janeiro gerou 5.390 empregos em junho e 25.193 empregos no semestre, número equivalente a 4,28% do total do país. 
A região Norte Fluminense gerou 2.126 novas vagas em junho, acumulando um saldo de 4.817 empregos no semestre. Deste total, destaca-se Campos dos Goytacazes com um saldo acumulado 3.785 vagas, sendo 2.029 vagas, ou 53,61% no setor agropecuário; 1.266 vagas, ou  33,45% na construção civil; 503 vagas, ou  13,29% no setor de serviços e 353 vagas, ou 9,33% na indústria de transformação. O comércio eliminou 311 vagas no semestre.
O município de Macaé mantém um quadro de dificuldades no emprego formal, apesar do resultado positivo em junho. Foram gerados 632 vagas no mês, por conta da aceleração na construção civil e um saldo acumulado de -191 empregos no semestre. O setor extrativa mineral eliminou 474 vagas no semestre e o setor de comércio eliminou 166 vagas no mesmo período.
O município de São Francisco de Itabapoana apresentou um boa geração de emprego em função do incio da safra de cana-de-açúcar. Foram gerados 549 empregos, sendo 503 ou 91,62% no setor agropecuário.
São João da Barra gerou 514 novas vagas de emprego no semestre, sendo 395 no setor de construção civil e 190 vagas na indústria de transformação. O comércio gerou 12 vagas no semestre. Importante observar que o emprego continua localizado no porto do Açu. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Execução orçamentária em São Francisco de Itabapoana em 2013

A execução orçamentária em São Francisco de Itabapoana apresentou um superávit de 12,63%, considerando  as receitas realizadas e as despesas liquidadas orçamentárias no ano fiscal de 2013. As receitas correntes realizadas somaram R$101,6 milhões, sendo R$4,0 milhões de receitas próprias, equivalentes a 3,95% e R$94,7 milhões de transferências constitucionais.
No grupo das despesas, as correntes liquidadas somaram R$86,0 milhões, onde as despesas com pessoal e encargos somaram R$56,3 milhões, equivalentes a 55,4% das despesas correntes. No grupo das despesas de capital, os investimentos liquidados somaram R$2,7 milhões, equivalentes a 2,66% das receitas correntes. 
Podemos observar nesta análise o mesmo problema já relatado anteriormente, ou seja, a grande dificuldade regional no que diz respeito a crescer as receita próprias e aumentar a taxa de investimento. Neste caso, a receita própria representando somente 3,95% das receitas correntes realizadas e o investimento atingindo a inexpressiva taxa 2,66%.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Taxa de criação de negócios como fator de dinâmica econômica

Dados do IBGE sobre o número de unidades de negócios e número de pessoal ocupado, mostram que a participação relativa do município de Campos dos Goytacazes é declinante em ambas variáveis. Já o município de Macaé apresenta uma participação relativa estável em relação a unidades locais de negócios e uma participação crescente em relação ao número de pessoal ocupado assalariado.
Em 2010 o municípios de Campos tinha 2,55% de participação no número de unidades locais do Estado, caindo para 2,52% em 2011 e 2,5% em 2012. Na participação do quantitativo de pessoal ocupado do Estado, o município tinha 2,16% em 2010, caindo para 2,13% em 2011 e 2,08% em 2012.
Já Macaé manteve uma condição de estabilidade na participação no número de unidades locais, ou seja, 1,45% em 2010, 1,45% em 2011 e 1,44% em 2012. A sua participação no número de pessoal assalariado é de 2,94% em 2010, 3,08% em 2011 e 3,23% em 2012. Devemos considerar que Macaé reúne a base empresarial do setor de petróleo e gás, o que justifica a evolução de sua participação no conjunto de pessoal assalariado. Entretanto, considerando a taxa de criação de negócios como um indicador importante de dinâmica econômica, podemos considerar que o quadro nos dois principais municípios da região Norte Fluminense é preocupante, já que a região é beneficiária de poupudos investimentos nos setores de petróleo e infraestrutura portuária.   

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A região Norte Fluminense perde participação relativa nos royalties de petróleo

Os principais municípios produtores de petróleo na região Norte Fluminense - Campos, Macaé e Quissamã, perderam participação relativa no total da indenização mensal de royalties petróleo distribuído pela ANP aos Estados, Municípios, Fundo Espacial e Ministério de Ciência e Tecnologia. A análise foi verificada levando em consideração o ano base 1999 e o ano referência 2013. Nesse período, a participação relativa de Quissamã declinou 65,1% em 2013 com base em 1999. Em Campos o declínio foi de 21,54%, enquanto em Macaé o declínio foi de 18,98%, considerando o mesmo período de análise. Contrariamente, São João da Barra apresentou uma evolução na participação relativa de 22,2% em 2013 ano base 1999. Essa evolução sugere redução da produtividade nos poços ao longo da Bacia de Campos, em função do tempo de exploração. São João da Barra pode passar por esse mesmo processo, já que é o último município do Estado do Rio de Janeiro na trajetória de exploração em direção ao Espirito Santo.