quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Pela 1ª vez, China supera EUA como maior destino de investimentos

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE NA SUÍÇA - O ESTADO DE S. PAULO
29 Janeiro 2015 | 15h 00

Brasil termina 2014 como 5º maior destino de investimentos no mundo, mas queda em preços de commodities pode afetar projetos no País em 2015

Dida Sampaio/Estadão
Pela primeira vez, a China superou os EUA e se transformou o maior receptor de investimentos do mundo, segundo números da ONU
GENEBRA - O Brasil subiu duas posições e terminou 2014 como o quinto maior destino de investimentos estrangeiros diretos no mundo, superando todos os países europeus. Os dados são da ONU e apontam que, pela primeira vez, a China superou os EUA e se transformou o maior receptor de investimentos do mundo. 
Porém, a entidade alerta que 2015 pode marcar uma queda importante de investimentos nos emergentes, principalmente aqueles que dependem de commodities e onde o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) sofreu um forte freio, como no Brasil. 
De fato, os dados apontam que o volume total de investimentos enviados ao Brasil caiu de US$ 64 bilhões em 2013 para US$ 62 bilhões em 2014. A redução de 4%, porém, foi mais suave que a média mundial, que teve redução de 8%. Entre 2012 e 2013, o Brasil também já tinha perdido outros 4%. A tendência de queda pode continuar em 2015. 
No ano passado, empresas investiram US$ 1,26 trilhão, um valor distante do pico de 2007, quando os investimentos diretos chegaram a US$ 1,9 trilhão. O ano de 2014 só não foi pior que 2009, quando os investimentos chegaram a US$ 1,1 trilhão. 
"Esse foi o segundo pior ano da crise", declarou James Zhan, diretor de Investimentos da Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Para ele, um "aumento sólido de investimentos continua sendo um cenário distante". Com baixo crescimento do PIB mundial, volatilidade nas moedas e a queda dos preços de commodities, as perspectivas para 2015 são também das mais "incertas". 
Para Zhan, o Brasil "sofreu menos que os demais" e por isso subiu no ranking, superando Reino Unido, França e Alemanha. Na avaliação da ONU, o que pesou negativamente foi a queda dos investimentos no setor de commodities, afetado pelo preço dos bens primários em queda. Zhan alerta que a menor expansão desse setor deve continuar em 2015, principalmente entre os emergentes. 
No setor industrial, porém, uma alta do fluxo foi registrada no Brasil. Segundo a ONU, as aquisições no país aumentaram em 45%, para um total de US$ 14 bilhões. 
Zhan acredita que as condicionalidades impostas pelo governo às multinacionais e os incentivos fiscais oferecidos em áreas como automotivo, farmacêutico e informática estão dando resultados positivos na atração de investimentos estrangeiros ao País. "O que permitiu o Brasil ocupar essa posição foi sua política industrial, que parece dar resultados", indicou.
Na Organização Mundial do Comércio, porém, a Europa questiona os incentivos dados pelo governo brasileiro e abriu uma disputa comercial. Se condenado, o Brasil terá de modificar seus programas. 
Mas a queda do fluxo também foi uma realidade que atingiu a América Latina e fez os investimentos na região desabarem em 19% em 2014. 
Na região, o volume de investimentos foi de US$ 153 bilhões, a primeira queda depois de quatro anos de um incremento nos fluxos. Aquisições caíram em 26% e, diante da queda nos preços de minérios, petróleo e bens agrícolas, o interesse por novos investimentos também foi reduzido. A Venezuela registrou uma queda de mais de 10% nos investimentos, contra uma redução de 60% na Argentina. Os investimentos na Colômbia e Peru também caíram. 

Países que mais receberam investimento estrangeiro em 2014

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China. Mas o que chama a atenção dos especialistas é que o fluxo de dinheiro para a Ásia e, em especial, para a China, continua a aumentar. Apenas os países emergentes do continente asiático receberam quase US$ 500 bilhões, o equivalente a tudo o que as economias ricas atraíram. Os asiáticos ainda receberam o dobro do valor investido na Europa. 
Segundo a ONU, a China é o grande destaque de 2014. Pequim recebeu 10% de todos os investimentos no mundo, cerca de US$ 128 bilhões, seguido por Hong Kong, com US$ 111 bilhões. Os americanos aparecem hoje apenas na terceira posição, com US$ 86 bilhões, seguidos por Cingapura com US$ 81 bilhões. 
"Pela primeira vez, a economia chinesa recebeu mais investimentos que a americana", explicou Zhan. "Os americanos sempre estivera na liderança nos últimos 30 anos". Nos países ricos, a queda foi profunda, de 14% e, nos EUA, os investimentos foram de apenas um terço dos níveis de 2013. 
Pela primeira vez, os emergentes representaram uma proporção maior dos investimentos que as economias ricas, com US$ 700 bilhões e uma alta de 4% em relação a 2013. Ao final de 2014, esse grupo representava 56% do destino dos investimentos no mundo. Dos cinco maiores receptores de investimentos hoje, quatro são emergentes. 
Projeção. Para 2015, porém, as projeções não apontam para uma melhoria significativa. "A tendência é de incerteza", apontou a ONU. "A fragilidade da economia mundial, com o crescimento afetado por uma demanda hesitante, volatilidade no mercado de câmbio e instabilidades geopolíticas vão agir como freios a investidores", indicou. 
Nos emergentes, "a queda nos presos de commodities vão reduzir investimentos em petróleo, gás e outras commodities". 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Reflexos da dependência das rendas do petróleo na região Norte Fluminense

O gráfico apresenta a evolução da cotação média do Barril de Petróleo no período de 2001 a 2014 e a previsão para 2015. Considerando a média de preço em US$50,00 para este ano e verificando a correlação com as receitas de royalties e participações especiais no mesmo período, verifica-se que as perdas não serão lineares entre os municípios. A confirmação da média de US$50,00 para o barril de petróleo em 2015, provocará no município de Campos dos Goytacazes uma queda de até 46,57% nas indenizações petrolíferas. O município tende a sofrer mais, já que poderá interromper investimentos importantes, enquanto São João da Barra poderá ter uma queda de até 40,12%. Macaé, com uma situação diferenciada, poderá perder até 8,35% neste ano. O município apresenta a menor dependência entre os  produtores de petróleo e se constitui como sede de um número importante de empresas do setor, o que lhe possibilita uma boa arrecadação de Imposto sobre Serviços (ISS).  

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Prefeitos se reúnem em Macaé para enfrentar a crise dos royalties

Jornal Folha da Manhã

Os prefeitos, Dr. Aluizio, de Macaé, Alcebíades Sabino, de Rio das Ostras, e Amaro Fernandes, de Carapebus, além do presidente da câmara desse município, Juninho, e do vice-prefeito de Casimiro de Abreu, Pastor Zedequias, reuniram-se, na tarde desta segunda-feira (26), para iniciar a elaboração de um documento de apresentação das ações e metas regionais de enfrentamento da crise decorrente da maior queda do valor do barril de petróleo em seis anos, acumulando perdas de 60%. Apesar da crise ser internacional - A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aponta o aumento de produção, em especial nas áreas de xisto dos Estados Unidos da América, e uma menor demanda na Europa e na Ásia como as principais causas - medidas locais já estão sendo tomadas pelas prefeituras, especialmente para evitar o aumento do índice de desemprego regional.
Esse foi o primeiro encontro com esta pauta. O próximo acontecerá na próxima segunda-feira, 2 de fevereiro, com a participação também de secretários de Fazenda, procuradores municipais e presidentes das câmaras de vereadores. Para as próximas reuniões, é esperada a adesão de Conceição de Macabu, Cabo Frio, entre outros municípios do Norte Fluminense. A troca de ideias entre os gestores sobre as iniciativas já tomadas pretende gerar ações coletivas em prol da região. As ações e metas regionais integrarão um documento que será apresentado aos governos estadual e federal para garantir que os compromissos com investimentos locais sejam mantidos. Isso porque a crise internacional, gerou uma crise nacional que afetará os repasses estaduais e federais aos municípios. Entre os investimentos mais aguardados e que podem alavancar a economia do estado estão: rodovias, ampliação de aeroportos e terminal portuário. 
— Tenho mantido um diálogo constante com secretários estaduais para tratar do licenciamento do Terminal Portuário de Macaé (Tepor), da duplicação da RJ 106, entre outros compromissos. Iremos também ao governo Federal apresentar essas demandas coletivas para garantir os investimentos em nossa região. Também estamos buscando a sociedade civil, para que compreendam o momento que estamos vivendo.  Já foi acertado uma redução de custo de 10% dos serviços oferecidos por hotéis e por restaurantes. Todas essas medidas pretendem garantir o emprego, evitar demissões nos setores público e privados— disse Dr. Aluízio. 
Como estratégia contra a redução de receita gerada pela queda dos royalties - de 25% a 30% em Macaé - algumas medidas já foram tomadas pelas prefeituras do Norte Fluminense. Entre elas: revisão de contratos; contingenciamento das despesas; redução percentual de 10% dos salários de prefeitos e de cargos comissionados. "Esperamos que seja uma tormenta passageira e que consigamos passar bem por ela. A Petrobras é a maior empresa do país e uma das maiores do mundo. Confiamos em seu potencial", pontuou o prefeito de Macaé. 
— Queremos garantir os empregos. Por isso, vamos buscar os governos estadual e federal para apresentar nossas ações e metas de interesse regional para impulsionar a economia. O Terminal Portuário de Macaé é fundamental para toda a região, assim como a duplicação da RJ 106. Precisamos reafirmar os compromissos dessas esferas com esses municípios que por tanto tempo financiaram obrigações estaduais e federais — reforçou Alcebíades Sabino.
Fonte: Secom/Macaé

Não seria o momento oportuno para a convocação de estudiosos sobre assunto para a busca de alternativas técnicas para a questão? 

domingo, 25 de janeiro de 2015

São João da Barra e seu resultados econômicos contraditórios!

Nesse período quente de substancial gastança pública, é importante lembar alguns números da economia sanjoanense. O município realizou uma receita corrente de R$364,3 milhões em 2013 e R$341,1 milhões em 2014, considerando o período de janeiro a outubro. Quer dizer, nos dois anos o volume de receita somou R$705,4 milhões. Desse valor o gasto em investimento liquidado somou R$12,2 milhões nos dois anos (janeiro a outubro em 2014), ou seja, o equivalente a 1,7% das receitas realizadas. Essa grande festa teve como resultado a eliminação de 886 empregos em 2013 e 383 empregos em 2014. Eliminação quer dizer perda de emprego mesmo, ou seja, mais demissões do que contratações. Não podemos esquecer a condição do município de produtor de petróleo e sede do porto do Açu. É mole?

sábado, 24 de janeiro de 2015

Um panorama sobre o emprego formal na região Norte Fluminense em 2014

O saldo de emprego no país sofreu uma forte desaceleração em 2014, gerando um resultado consolidado 79% menor do que o saldo gerado em 2013. A atividade de serviços apresentou a maior contribuição, enquanto foi verificado um desmonte das atividades de construção civil e indústria de transformação.

No Estado do Rio de Janeiro a desaceleração ocorreu em uma velocidade menor. A retração do saldo gerado de emprego em 2014 foi de 45,4% em relação a 2013. No estado também predominou o setor de serviços com a geração de 35.747 empregos, enquanto nos resultados negativos, sobressaíram os setores de construção civil com a eliminação de 4.162 empregos e a indústria de transformação com a eliminação de 3.765 vagas no mesmo ano. No estado, as ocupações com maiores saldos foram as de faxineiro, serventes de obras, técnico de enfermagem, auxiliar de escritório e recepcionista. O salário médio de R$1.412,87 no setor de serviços, o mais representativo, indica a fragilidade de uma economia baseada em atividades de baixo valor agregado e baixos salários.

Olhando a região Norte Fluminense, através dos principais municípios, em termos de recepção de investimentos, o quadro parece não mudar. Campos dos Goytacazes gerou um saldo de 353 novos empregos no ano, representando somente 1% do saldo do estado. Os setores de comércio com 262 novas vagas e a agropecuária com 163 vagas, foram os que mais contribuíram, enquanto que o setor de construção civil foi responsável pela eliminação de 82 vagas de emprego no ano. O salário médio no comércio foi de R$989,99 repetindo a indicação já  feita para o estado do Rio de janeiro.

No município sede da estrutura empresarial do setor de petróleo, a situação ainda é pior. O município do petróleo eliminou 165 empregos no ano, com destaque negativo para os setores extrativa mineral com a eliminação de 633 vagas e construção civil com a eliminação de 195 vagas de emprego. Entre os setores que contribuíram positivamente na geração de empregos, destaque para o setor de comércio com 218 vagas, para o setor de serviços com 169 vagas e para a industria de transformação com 162 vagas.


Em São João da Barra, sede do porto do Açu, foram eliminadas 378 vagas de emprego, onde a construção civil liderou com a eliminação de 720 empregos. A contribuição positiva veio dos setor de industria de transformação que gerou 287 vagas com salário médio de R$1.740,55 no ano. Importante observar que apesar do registro de maior salário médio entre os setores principais, o mesmo não é capaz de irrigar a econômica local, já que foge para outras regiões. O quadro ratifica  o nosso alerta sobre a necessidade de mudanças na orientação da economia regional. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Gastos robustos e comércio as traças!

A falência do comércio em São João da Barra é evidente, apesar dos gastos públicos e dos investimentos no porto Açu. Em 2014 o comércio gerou uma única vaga. Esse é um momento oportuno para revisar os estudos de impactos ambientais e econômicos do porto do Açu. As medidas compensatórias foram esquecidas e os comerciante, principais interessados, estão anestesiados. A situação tende a piorar. Aguardem!

Emprego Formal na região Norte Fluminense em 2014

A desaceração do emprego formal na região Norte Fluminense, em 2014, confirma a incapacidade dos grandes investimentos de promover uma melhor dinâmica econômica  regional. Apesar dos royalties de petróleo e da movimentação por conta das obras de infraestrutura portuária, a região gerou somente 179 novos empregos em 2014. Campos dos Goytacazes gerou 353 empregos, Macaé eliminou 165 empregos e São João da Barra eliminou 383 empregos. A desaceleração foi de 97,11% em relação a 2013, quando a região gerou 6.200 empregos.  
Em dezembro a região eliminou 1.849 empregos. Macaé liderou negativamente, já que eliminou 918 empregos, seguido por Campos que eliminou 816 empregos. No mês, somente Conceição de Macabu e Quissamã criaram novas vagas.
Setorialmente, foi observado um desmonte da construção civil. Em São João da Barra o setor eliminou 720 vagas, Macaé eliminou 195 vagas e Campos eliminou 82 vagas no ano. Por outro lado, o setor de comércio segurou o pequeno saldo positivo, com destaque para Campos e Macaé.