quarta-feira, 1 de julho de 2015

Resultado da balança comercial brasileira em junho

O saldo nas relações comerciais entre o Brasil e o resto do mundo foi superavitário em junho. As exportações somaram US$19.628 milhões FOB, as importações somaram US$15.101 milhões e o saldo somou US$4.527 milhões, o maior do semestre. O saldo acumulado no período de janeiro a junho somou US$2.222 milhões. Na comparação entre o saldo acumulado no semestre de US$4.527 e o saldo acumulado em junho de 2014, observa-se um crescimento de 92,8%. O resultado só foi possível dado a desaceleração das importações.

Exportação de minério de ferro em junho

A exportação de minério de ferro apresentou uma boa recuperação em junho. A receita cresceu 30,8% em relação a maio, o volume embarcado cresceu 15,6% e o preço por tonelada cresceu 13,1% no mesmo período. 
Entretanto, na comparação com junho de 2014, verificou-se uma queda de 47,3% na receita de exportação, um crescimento de 8,3% no volume embarcado e uma queda acentuada de 51,0% no preço da tonelada.
O gráfico apresenta a trajetória dos preços de minério de ferro de minério de ferro praticados nos anos de 2012 a 2015. A pesar da leve recuperação em junho, a trajetória de desvalorização é evidente, fato preocupante já que as commodities tem um papel significativo na balança comercial brasileira.

Exportação de açúcar em junho

A movimentação do açúcar em bruto no comércio exterior, durante o primeiro semestre deste ano, não é nada animadora. Apesar de um pequeno crescimento do volume embarcado e da recita em junho, com relação a maio, foi verificado uma queda de 3,3% no preço por tonelada. Em janeiro o preço atingiu US$351,7 a tonelada, com uma trajetória declinante até junho.
Na comparação com junho de 2014, observa-se uma queda de 19,9% na receita de exportação em dólar, um crescimento de 0,79% no volume embarcado e uma queda de 20,5% no preço da tonelada.
O gráfico mostra a trajetória dos preços por tonelada do açúcar no anos de 2012 a 2015. A desvalorização da commoditie é acentuada, prejudicando os resultados do comercio exterior do país. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Lições do improvável

JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO

Precisamos aprender muito!

Apesar de seus defeitos, Cingapura é raro exemplo de harmonia social.


Pensando na resistente divisão racial dos EUA, fiquei intrigado com algumas lições de uma fonte improvável: Cingapura. Preparando-me para uma viagem até lá na semana passada, como convidado da Universidade Nacional de Cingapura, perguntei ao vice-premiê, Tharman Shanmugaratnam, o que ele considerava o maior sucesso do país. Imaginei que fosse falar de economia, já que o PIB per capita da cidade-Estado hoje excede os de EUA, Japão e Hong Kong. Mas ele falou de harmonia social.

“Éramos uma nação improvável”, disse Shanmugaratnam. A ilha coberta de pântanos, expulsa da Malásia em 1965, tinha uma população poliglota de migrantes com inúmeras religiões, culturas e crenças. “O interessante e único em Cingapura, mais do que a economia, são nossas estratégias sociais. Nós respeitamos as diferenças das pessoas, mas moldamos uma nação e tiramos proveito da diversidade”, ele explicou numa entrevista.

Como Cingapura conseguiu? Obrigando a diversidade étnica em todos seus bairros. Mais de 80% dos cingapurianos vivem em moradias públicas, todas bem consideradas, algumas até de luxo, Cada quarteirão, distrito e enclave tem cotas étnicas.
É isso que as pessoas querem dizer quando falam de Cingapura como um “Estado babá” e o premiê prontamente admite. “A política social em boa medida intrusiva de Cingapura se revelou o mais importante”, diz ele. “Quando se garante que cada bairro seja misto, as pessoas fazem as coisas do dia a dia juntas, se acostumam umas com as outras e, o que é mais importante, seus filhos frequentam as mesmas escolas. Quando os garotos crescem juntos, eles começam a compartilhar um futuro juntos.”

Essa crença estava no cerne de muitos esforços do governo federal americano nos anos 50 e 60 para acabar com a segregação em escolas e integrar bairros – mediante ordens judiciais, leis de habitação e ação executiva. Esses esforços foram em grande parte abandonados nos anos 80, e, desde então, os dados mostram que os EUA permaneceram notavelmente segregados. 

Em Boston, por exemplo, 43,5% da população branca vive em áreas que têm pelo menos 90% de brancos e uma renda média quatro vezes maior que a linha de pobreza, conforme revelaram pesquisadores da Universidade de Minnesota. Em St. Louis, essa proporção da população branca é de 54,5%. Essa segregação residencial se traduziu em acesso desigual a segurança, saúde básica e, o crucial, escolaridade.

Apesar de a Suprema Corte ter ordenado o fim da segregação escolar há 61 anos, as escolas se tornaram, aliás, mais homogêneas nas duas últimas décadas. Uma pesquisa da ProPublica revela que o número de escolas que eram menos de 1% brancas cresceu de 2.762 em 1988 para 6.727 em 2011. 
Um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) no ano passado descreveu como uma sala de aula se parece para o aluno branco típico dos EUA. Dos 30 alunos, 22 são brancos, dois são negros, quatro latinos, um asiático e um “Outro”. 

Essas revelações não surpreenderiam os cingapurenses. “O funcionamento natural da sociedade raramente conduz a comunidades diversificadas e integradas”, explicou Shanmugaratnam. “Conduz mais provavelmente à desconfiança, à segregação e até à intolerância.” 

Cingapura é um caso incomum. É uma pequena cidade-Estado. Ela tem seus críticos, que apontam para um sistema quase autoritário que tolhe a liberdade de expressão e coloca sérios obstáculos a partidos de oposição. 

Cingapura pode fazer coisas que democracias ocidentais não podem. Ela também teve seus próprios problemas raciais.
Dito isso, acredito que Cingapura é um exemplo de uma sociedade diversificada que conseguiu permanecer unida e com a qual poderíamos aprender – Cingapura certamente também poderia aprender algumas lições com as democracias ocidentais.

“Não se pode simplesmente supor que o funcionamento natural do mercado ou da sociedade produzirá harmonia social ou oportunidades iguais. Não produzirá”, disse Shanmugaratnam. 


“O governo – um governo eleito – tem um papel. E não se trata de discursos e símbolos. Trata-se de mecanismos e programas específicos para alcançar os resultados que todos buscamos.” Algo a se considerar no momento em que os EUA, na esteira da tragédia na Carolina do Sul, discutem estandartes e símbolos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

domingo, 28 de junho de 2015

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Mudanças permanentes exigem novas praticas

Não poderia deixar de expressar a minha opinião sobre a reunião realizada hoje no CDL, sob coordenação da secretaria de desenvolvimento do municípios de Campos dos Goytacazes. Com o tema proposto para discussão  "Cenário Econômico: alternativas para superar a crise, na verdade não aconteceu um debate e sim uma bela explanação do secretário de governo e ex governador Antony Garotinho, sobre o projeto de antecipação dos royalties de petróleo de autoria dos senadores Marcelo Crivella (PR/RJ) e Rose de Freitas (PMDB/ES), aprovado no senado.

Antony Garotinho apresentou, com muita clareza, todo o processo evolutivo de institucionalização das rendas de royalties de petróleo como garantia para operação financeira. Primeiro na questão da solução da dívida pública do estado do Rio de Janeiro, ainda quando governador, depois na antecipação de receitas orçamentárias para os municípios produtores, face a crise internacional que derrubou o preço do barril de petróleo.

Sobre os esforços no campo fiscal, o secretario informou que o governou conseguiu reduzir R$800 milhões, cortando gastos, fundamentalmente de custeio, o que, sem dúvida, foi um grande feito. Quanto a recuperação das receitas por intermédio da antecipação dos royalties, o secretario conseguiu mostrar a inexistência de impactos para os próximos governantes e para as outras esferas de governo que também não serão afetadas, já que esses recursos serão captados de fundos no exterior. Segundo o secretário a operação impactará no ingresso de divisas para o país, além de resolver os problemas fiscais dos municípios em dificuldade.

O que me chamou a atenção foi o otimismo exagerado de tal engenharia financeira resolver os problemas desses municípios. Não resolverão, já que existe uma cultura do desperdício orçamentário que é evidente. Insisto que Campos ainda tem um diferencial em relação aos outros municípios. Vejo um  nível de responsabilidade mais elevado no esforço para reduzir a dependência orçamentária, em relação as receitas de petróleo, além do padrão de excelência na alocação em investimento. Os outros municípios produtores da bacia de Campos apresentam resultados muito inferiores, com exceção de Rio das Ostras.

Entretanto, os problemas não se resumem na questão fiscal. Uma outra questão é o baixo padrão de desenvolvimento econômico da região. Campos como o mais importante município da região, antes da crise do petróleo, já apresentava uma forte fragilidade em seu sistema econômico. Em 2013 a parcela correspondente a 80% da renda do trabalho assalariado estava concentrada nas atividades relacionadas a administração pública, ao comércio e serviços. Isso é ruim porque os serviços no municípios são de baixo conhecimento e baixo rendimento, enquanto o comércio não produz riqueza e sim transfere. Oriundos da atividade industrial, somente 5% da renda do trabalho, o que ratifica a minha preocupação. Neste caso, fica evidente que a solução permanente está no fomento a atividades produtivas.

É evidente que o governo não pode ser responsabilizado por tudo, entretanto o automaticismo keynesiano (o gasto do governo irriga a economia que cresce), pensado pela prefeita também não existe. A solução para o desenvolvimento econômico sustentável deve ser pensada no escopo do longo prazo e o governo tem um papel preponderante nesse processo. É necessário aproveitar a energia despendida em ações isoladas, que se encerram em si mesmas, para pensar estrategicamente o processo de geração de riqueza e melhoria de vida da população. Nesse caso, deve-se construir um cronograma onde possam ocorrer debates sobre temas específicos e ações coordenadas por um processo de governança institucional. Essa visão tira o foco da política e desloca para a importância do conhecimento cientifico, da pactuação de objetivos entre organizações governamentais e não governamentais e da ação coletiva. 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Saldo das operações financeiras na região Norte Fluminense em dezembro de 2014

Os saldos das operações bancárias em dezembro de 2014, nos municípios da região Norte Fluminense, são apresentados na tabela. Campos dos Goytacazes contabilizou R$2,7 bilhões de operações de crédito, seguido por Macaé com R$2,0 bilhões de saldo. Já em relação a depósitos a vista do setor privado, Macaé contabilizou R$321,2 milhões, seguido por Campos dos Goytacazes com um saldo de R$236,4 milhões. 
Entre os menores municípios, as contradições são bem acentuadas. Vejam que os saldos de operações de crédito e depósitos a vista do setor privado, nos municípios São Fidélis, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra são bem próximos, mesmo sendo esses municípios bem diferentes. São João da Barra é produtor de petróleo e sede do Porto do Açu, enquanto que os outros dois municípios tem sua base econômica no setor agropecuário. Finalmente, o saldo de depósito a prazo de R$166,7 milhões em São João da Barra, confirma o perverso padrão de concentração da riqueza.