sexta-feira, 25 de julho de 2014

CONTRADIÇÃO



Mudanças na regulação dos depósitos compulsórios irrigam a economia com mais dinheiro para crédito. Os bancos ficam satisfeitos, porém o mercado encara como contraditórias as  medidas. Resgatando a nossa discussão anterior, está confirmada a nossa crítica, ou seja, as arrumações de curto prazo serão priorizadas neste ano eleitoral, em detrimento das necessárias intervenções de ordem estrutural.    


25/07/2014 às 08h58 
BC faz ajuste nas regras dos recolhimentos compulsórios
Por Mônica Izaguirre e Daniela Machado | 

BRASÍLIA E SÃO PAULO  -  O Banco Central (BC) anunciou ajustes nas  regras dos recolhimentos compulsórios, com impacto estimado de R$ 30 bilhões, argumentando que esses depósitos subiram significativamente nos últimos anos e que houve moderação no crédito recentemente. Além disso, a autoridade destacou que a inadimplência está em patamares baixos e o nível de risco no sistema financeiro diminuiu, o que permitiu as mudanças.
Em nota divulgada agora pela manhã, a instituição informou ainda que adotou as medidas com vistas a melhorar a distribuição da liquidez na economia. Foram alteradas normas relativas aos recolhimentos compulsórios sobre recursos a prazo e à vista. 
Foi permitido que até 50% do recolhimento compulsório relativo a depósito a prazo sejam cumpridos com operações de crédito. “Pelo prazo de um ano, 50% dos valores recolhidos poderão ser utilizados na contratação de novas operações de crédito e na compra de carteiras diversificadas (pessoas jurídicas e físicas) geradas por instituições elegíveis” , diz a nota.
Outra medida foi ampliar o rol de instituições financeiras elegíveis (de 58 para 134) à condição de vendedoras das operações aceitas para fins de dedução do recolhimento. Instituições financeiras cujo Patrimônio de Referência Nível I, na posição de dezembro de 2013, seja inferior a R$ 3,5 bilhões serão elegíveis, sem restrições.
O BC resolveu ainda reduzir de R$ 6 bilhões para R$ 3 bilhões o valor do Patrimônio de Referência (Nível I) das instituições elegíveis para utilizar financiamentos concedidos nos termos da Resolução nº 4.170, para fins de redução da exigibilidade sobre recursos à vista, “ampliando o número de bancos que poderão lançar mão de parte (até 20%) de seus recolhimentos compulsórios sobre depósitos à vista para empréstimos e financiamentos que sejam enquadráveis no Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES”.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Soluções parciais para problemas estruturais



A trajetória recente da conjuntura econômica brasileira comprova a debilidade das medidas econômicas de curto prazo e, consequentemente, a essencialidade  da visão sistêmica como pilar de orientação das medidas de longo prazo. A preocupação do governo com os reflexos da crise americana de 2008 no emprego, o levou a incentivar a demanda interna, via facilitação de crédito, alargamento dos prazos de financiamento e desoneração de impostos, fundamentalmente.

Evidente que dado a natureza de curto prazo, essas medidas causariam uma sensação de proteção a sociedade e, ao mesmo tempo, agiriam positivamente na popularidade do governo. Entretanto, esse quadro de aparente tranquilidade econômica não poderia se sustentar por muito tempo. A pressão da demanda induzida por meios artificiais alimentou a inflação e levou o governo a lançar mão de instrumentos contraditórios às medidas expansionistas anteriores. Com isso, cresceu o juro e o grau de exigibilidade para o financiamento. As consequências não poderiam ser outras senão o endividamento das famílias e a redução da capacidade de consumo, com reflexos na formação de estoques involuntários, queda no nível de investimento e, consequentemente, desaceleração da taxa de crescimento econômico.  

O momento atual é de crise! Ano eleitoral, confiança dos empresários abalada, foco dos governantes na política partidária e de novo o interesse nas soluções de curto prazo, para não criar dificuldades no pleito. Só que as soluções para os problemas econômicos dependem de uma visão sistêmica e um programa de ações de longo prazo. O ponto fundamental é a indução ao deslocamento positivo da curva de oferta agregada a partir da inovação tecnológica. Ao contrário da visão tradicional, o crescimento da demanda depende do crescimento da oferta, a qual impulsiona o emprego e renda das famílias, sustentando o investimento e a produção agregada. A decisão por soluções de longo prazo exige comprometimento!  

sábado, 19 de julho de 2014

Refletindo sobre progresso social: o caso da região Norte Fluminense

Muito tenho ouvido falar de modernização, fundamentalmente, em função dos grandes investimentos nos setores de petróleo e infraestrutura portuária  na região Norte Fluminense. No âmbito dos municípios, as justificativas para o termo modernização passam essencialmente pelo aumento da população urbana e número de veículos automotores em circulação. Predominam os discursos políticos, onde governos e organizações de interesse disseminam uma visão otimista e sem qualquer base técnica/científica. A desinformação tem sido uma prática que é perversa para o futuro da sociedade regional.

Como contribuição para um melhor entendimento sobre o que realmente quer dizer progresso / modernização de uma sociedade, vamos recorrer ao pai da economia Adam Smith, nascido na Escócia e que viveu no período de 1723 a 1790.   

Em sua reflexão sobre o processo de invenção de máquinas para facilitar e abreviar o trabalho no âmbito da divisão do trabalho, ficou acentuada a importância dos trabalhadores que operavam as atividades e dos filósofos ou pesquisadores. Dessa forma, deduzia o economista....... "com o progresso da sociedade, a filosofia ou pesquisa torna-se, como qualquer ofício, a ocupação principal ou exclusiva de uma categoria especifica de pessoas".

Já em períodos mais recentes, o economista Celso Furtado, refletindo sobre a formação da teoria do subdesenvolvimento, destacou que a modernização da sociedade através da importação de bens de consumo sem a correspondente diversificação dos aparelho produtivo seria o ponto central da dependência tecnológica.

Vejam que enquanto Adam Smith associa o progresso da sociedade à pesquisa, que se transforma na ocupação principal, como um oficio qualquer; Celso Furtado vê a modernização da sociedade, caracterizada pela importação de bens de consumo, como uma situação de dependência tecnológica, condição alimentadora do subdesenvolvimento.


Acredito que a modernidade, tão propalada na região identificada, pode ser bem analisado segundo os ensinamentos dessas referências essenciais para o entendimento da ciência econômica. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Participação relativa do emprego formal em Campos e Macaé

Dados do Ministério do Trabalho (Caged) sobre a distribuição do emprego formal no Estado do Rio de Janeiro, mostram que enquanto Macaé aumenta a sua participação percentual no bolo do Estado, Campos perde participação. O gráfico apresenta o percentual de participação do número de empregos formais no período de 2004 a 2012 para esses municípios. Podemos observar que Campos apresentava um número de empregos equivalente a 2,27% do total do Estado em 2004, evoluindo para 2,71% em 2007. A partir desse ponto, foi verificado uma queda no ano seguinte para 2,38%, chegando ao nível mais baixo de 2% em 2009. Nos três anos seguintes a participação do município no emprego total do Estado se estabilizou em 2,14% em 2010, 2,12% em 2011 e 2,10% em 2012.
Já o município de Macaé, apresentou uma trajetória de crescimento de sua participação ao longo de todo o período. Em 2004, a participação do município era de 2,27%, aumentando gradativamente nos anos seguintes até alcançar 3,18% em 2012. 
Na avaliação sobre o crescimento anual, Macaé apresentou um crescimento médio de 10,65% no período de 2005  a 2012, enquanto Campos dos Goytacazes apresentou um crescimento médio de 3,7% no mesmo período. 
É importante observar nessa análise, a existência de uma base de negócios importante ligada a atividade de petróleo em Macaé e um processo de declínio acentuado da indústria sucroalcooleira em Campos dos Goytacazes. De qualquer forma, fica evidente que o avanço do emprego nesses municípios não é compatível aos investimentos públicos e privados direcionados para a região. Uma outra questão importante diz respeito a extrema necessidade de construção de numa base industrial em Campos dos Goytacazes, já que os setores de serviço e administração pública apresentam dificuldades para formar cadeias produtivas essenciais para a geração de emprego e renda em um padrão de maior sustentabilidade e maior valor adicionado.   

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O perfil do emprego na região Norte Fluminense em junho

O Ministério do Trabalho apresentou os dados de emprego formal no primeiro semestre de 2014. Foram gerados no país 588.671 postos de trabalho no primeiro semestre deste ano. O Estado do Rio de Janeiro gerou 5.390 empregos em junho e 25.193 empregos no semestre, número equivalente a 4,28% do total do país. 
A região Norte Fluminense gerou 2.126 novas vagas em junho, acumulando um saldo de 4.817 empregos no semestre. Deste total, destaca-se Campos dos Goytacazes com um saldo acumulado 3.785 vagas, sendo 2.029 vagas, ou 53,61% no setor agropecuário; 1.266 vagas, ou  33,45% na construção civil; 503 vagas, ou  13,29% no setor de serviços e 353 vagas, ou 9,33% na indústria de transformação. O comércio eliminou 311 vagas no semestre.
O município de Macaé mantém um quadro de dificuldades no emprego formal, apesar do resultado positivo em junho. Foram gerados 632 vagas no mês, por conta da aceleração na construção civil e um saldo acumulado de -191 empregos no semestre. O setor extrativa mineral eliminou 474 vagas no semestre e o setor de comércio eliminou 166 vagas no mesmo período.
O município de São Francisco de Itabapoana apresentou um boa geração de emprego em função do incio da safra de cana-de-açúcar. Foram gerados 549 empregos, sendo 503 ou 91,62% no setor agropecuário.
São João da Barra gerou 514 novas vagas de emprego no semestre, sendo 395 no setor de construção civil e 190 vagas na indústria de transformação. O comércio gerou 12 vagas no semestre. Importante observar que o emprego continua localizado no porto do Açu. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Execução orçamentária em São Francisco de Itabapoana em 2013

A execução orçamentária em São Francisco de Itabapoana apresentou um superávit de 12,63%, considerando  as receitas realizadas e as despesas liquidadas orçamentárias no ano fiscal de 2013. As receitas correntes realizadas somaram R$101,6 milhões, sendo R$4,0 milhões de receitas próprias, equivalentes a 3,95% e R$94,7 milhões de transferências constitucionais.
No grupo das despesas, as correntes liquidadas somaram R$86,0 milhões, onde as despesas com pessoal e encargos somaram R$56,3 milhões, equivalentes a 55,4% das despesas correntes. No grupo das despesas de capital, os investimentos liquidados somaram R$2,7 milhões, equivalentes a 2,66% das receitas correntes. 
Podemos observar nesta análise o mesmo problema já relatado anteriormente, ou seja, a grande dificuldade regional no que diz respeito a crescer as receita próprias e aumentar a taxa de investimento. Neste caso, a receita própria representando somente 3,95% das receitas correntes realizadas e o investimento atingindo a inexpressiva taxa 2,66%.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Taxa de criação de negócios como fator de dinâmica econômica

Dados do IBGE sobre o número de unidades de negócios e número de pessoal ocupado, mostram que a participação relativa do município de Campos dos Goytacazes é declinante em ambas variáveis. Já o município de Macaé apresenta uma participação relativa estável em relação a unidades locais de negócios e uma participação crescente em relação ao número de pessoal ocupado assalariado.
Em 2010 o municípios de Campos tinha 2,55% de participação no número de unidades locais do Estado, caindo para 2,52% em 2011 e 2,5% em 2012. Na participação do quantitativo de pessoal ocupado do Estado, o município tinha 2,16% em 2010, caindo para 2,13% em 2011 e 2,08% em 2012.
Já Macaé manteve uma condição de estabilidade na participação no número de unidades locais, ou seja, 1,45% em 2010, 1,45% em 2011 e 1,44% em 2012. A sua participação no número de pessoal assalariado é de 2,94% em 2010, 3,08% em 2011 e 3,23% em 2012. Devemos considerar que Macaé reúne a base empresarial do setor de petróleo e gás, o que justifica a evolução de sua participação no conjunto de pessoal assalariado. Entretanto, considerando a taxa de criação de negócios como um indicador importante de dinâmica econômica, podemos considerar que o quadro nos dois principais municípios da região Norte Fluminense é preocupante, já que a região é beneficiária de poupudos investimentos nos setores de petróleo e infraestrutura portuária.